Hanseníase: Neuropatia, Reações e Classificação

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2021

Enunciado

Sobre a hanseníase, considere as afirmativas a seguir.I. É essencialmente uma doença dos nervos periféricos, contituindo-se a causa mais frequente de neu- ropatia periférica tratável.II. Estados reacionais podem ocorrer antes, durante ou após a instituição do tratamento específico.III. Para fins operacionais, os pacientes são classificados em grupos indeterminados, dimorfos e vir- chowianos.IV. A reação hansênica do tipo I tem como principal manifestação o eritema nodoso hansênico. Assinale a alternativa correta

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  4. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Pérola Clínica

Hanseníase: Doença dos nervos periféricos e estados reacionais (Tipo I e II) ocorrem a qualquer tempo. Eritema nodoso é Reação Tipo II.

Resumo-Chave

A hanseníase é primariamente uma neuropatia periférica tratável, e seus estados reacionais podem surgir a qualquer momento. É crucial diferenciar a Reação Tipo I (reversão) da Reação Tipo II (eritema nodoso hansênico) para o manejo adequado.

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença crônica infectocontagiosa que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, sendo a causa mais frequente de neuropatia periférica tratável. Sua importância reside não apenas na morbidade que causa, mas também no estigma social associado. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas paucibacilares com poucas lesões e boa resposta imune, até formas multibacilares com múltiplas lesões e resposta imune deficiente. Um aspecto crucial da hanseníase são os estados reacionais, que são fenômenos inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento politerápico. Esses estados reacionais são classificados em Tipo I (reação de reversão) e Tipo II (eritema nodoso hansênico). A Reação Tipo I é uma exacerbação da imunidade celular, manifestando-se com inflamação de lesões cutâneas e nervos, podendo levar a danos neurais irreversíveis. Já a Reação Tipo II é uma vasculite mediada por imunocomplexos, caracterizada por nódulos subcutâneos dolorosos, febre e comprometimento sistêmico. Para fins operacionais, os pacientes são classificados em paucibacilares (indeterminados e tuberculoide) e multibacilares (dimorfos e virchowianos), e não em indeterminados, dimorfos e virchowianos apenas, como afirmado na questão. Essa classificação orienta o esquema de tratamento politerápico. A identificação e o manejo adequados dos estados reacionais são fundamentais para prevenir incapacidades e deformidades, sendo um desafio constante na prática clínica e na formação de residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características da hanseníase como neuropatia periférica?

A hanseníase é essencialmente uma doença dos nervos periféricos, causando lesões cutâneas e neurológicas. A neuropatia se manifesta por perda de sensibilidade (tátil, térmica e dolorosa) e fraqueza muscular, podendo levar a deformidades e incapacidades se não tratada precocemente. É a causa mais frequente de neuropatia periférica tratável.

Quando podem ocorrer os estados reacionais da hanseníase?

Os estados reacionais da hanseníase podem ocorrer em qualquer fase da doença: antes do tratamento, durante o tratamento politerápico ou mesmo após a sua conclusão. Eles representam uma exacerbação da resposta imune do paciente ao Mycobacterium leprae e exigem manejo específico para evitar danos nervosos permanentes.

Qual a diferença entre a Reação Hansênica Tipo I e a Reação Hansênica Tipo II?

A Reação Hansênica Tipo I (reação de reversão) é uma hipersensibilidade tardia, caracterizada por inflamação aguda de lesões cutâneas e nervos preexistentes, podendo causar neurite. A Reação Hansênica Tipo II (eritema nodoso hansênico) é uma vasculite imunocomplexa, manifestada por nódulos subcutâneos dolorosos, febre, mal-estar e, por vezes, envolvimento de outros órgãos.

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