HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015
J.A.P.B., 38 anos, branco, trabalhador rural, natural e procedente de uma pequena cidade no interior do estado de MS. Foi atendido em consulta médica na UBS da sua cidade e referiu em sua história que há alguns meses notou uma área da pele em seu antebraço que permanecia limpa ao retornar do trabalho de campo. Observou depois, que a área referida era dormente, pois queimou tocando a pele com uma brasa de cigarro e não sentiu dor. O médico assistente examinando o local da queixa constatou que havia alteração de sensibilidade térmica e dolorosa, mas não visualizou qualquer lesão aparente, nem mesmo hipocromia da pele. A conduta correta do médico (CONFORME O MINISTÉRIO DA SAÚDE) deverá ser:
Hanseníase Neural Pura = alteração sensitiva em área de pele sem lesão visível → diagnóstico clínico + exame dermatoneurológico.
O caso descreve uma Hanseníase Neural Pura (HNP), caracterizada por alteração de sensibilidade em área de pele sem lesão cutânea aparente. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e confirmado pelo exame dermatoneurológico detalhado, que identifica o comprometimento neural. Nesses casos, o tratamento é para hanseníase paucibacilar.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. É uma doença endêmica em algumas regiões do Brasil, como o estado de Mato Grosso do Sul, e sua detecção precoce é crucial para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades. A hanseníase neural pura (HNP) é uma apresentação clínica desafiadora, pois a ausência de lesões cutâneas visíveis pode atrasar o diagnóstico. A fisiopatologia da HNP envolve a invasão e replicação do M. leprae nas células de Schwann dos nervos periféricos, levando à inflamação e desmielinização, o que resulta em perda de sensibilidade (térmica, dolorosa, tátil) e, em casos avançados, fraqueza muscular e deformidades. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e, fundamentalmente, no exame dermatoneurológico detalhado, que busca alterações de sensibilidade em áreas de pele aparentemente sã e/ou espessamento de nervos periféricos. A baciloscopia de esfregaço dérmico é geralmente negativa na HNP. A conduta, conforme o Ministério da Saúde, é iniciar o tratamento politerápico (MDT) assim que o diagnóstico clínico de hanseníase for estabelecido. A HNP é classificada como paucibacilar, e o esquema terapêutico consiste em Rifampicina e Dapsona por 6 meses. O encaminhamento para centro de referência pode ser necessário para confirmação diagnóstica em casos duvidosos ou para manejo de reações hansênicas, mas o início do tratamento não deve ser postergado. A eletroneuromiografia pode auxiliar na documentação do comprometimento neural, mas não é essencial para o diagnóstico inicial.
A Hanseníase Neural Pura (HNP) é uma forma de hanseníase em que o comprometimento primário é dos nervos periféricos, manifestando-se por alterações de sensibilidade (térmica, dolorosa, tátil) e/ou motoras, sem lesões cutâneas visíveis ou hipocrômicas.
O diagnóstico da HNP é eminentemente clínico-epidemiológico, baseado na história do paciente e, principalmente, em um exame dermatoneurológico detalhado que identifique alterações de sensibilidade e/ou espessamento de nervos periféricos. A baciloscopia é geralmente negativa.
A Hanseníase Neural Pura é classificada como paucibacilar, mesmo sem lesões de pele, devido à baixa carga bacilar. O tratamento segue o esquema politerápico paucibacilar (MDT/PB) preconizado pelo Ministério da Saúde, com Rifampicina e Dapsona por 6 meses.
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