Hanseníase Neural: Diagnóstico de Neuropatia Periférica

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

J.E.C. 50 anos, sexo masculino, refere que há 2 anos apresenta câimbras e dormência em perna esquerda. Nega história de traumatismo, cirurgias ou lesões na pele. Nega lombalgia. Nega doenças crônicas e uso de medicamentos. Ao exame: IMC 28 Kg/m2, PA 134 x 78 mmHg. FC 68 bpm. Pele sem lesões visíveis. AR: MV + sem RA. ACV: RCR 2BNF, sem sopros. Abdome indolor, sem massas ou VMG. MMII: sem edema, com nervo fibular comum à esquerda palpável e o seguinte exame de sensibilidade com estesiômetro. Qual a suspeita diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Hanseníase com comprometimento neural.
  2. B) Diabetes com neuropatia diabética.
  3. C) Hérnia de disco com compressão de raiz nervosa.
  4. D) Distúrbio hidroeletrolítico.

Pérola Clínica

Neuropatia periférica + nervo palpável (fibular) + ausência de outras causas → Hanseníase neural.

Resumo-Chave

A hanseníase, especialmente a forma neural pura, pode manifestar-se com neuropatia periférica crônica, caracterizada por dormência, câimbras e, classicamente, espessamento e palpabilidade de nervos periféricos, como o fibular comum, mesmo na ausência de lesões cutâneas visíveis.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. Embora classicamente associada a lesões cutâneas, a forma neural pura é um desafio diagnóstico, pois manifesta-se predominantemente com comprometimento dos nervos periféricos, levando a neuropatias sensitivas e motoras. A epidemiologia da hanseníase ainda é relevante em muitas regiões do Brasil, exigindo alta suspeição clínica. O diagnóstico da hanseníase neural baseia-se na história clínica de parestesias, dormência, câimbras e fraqueza, associada ao exame físico detalhado dos nervos periféricos. A palpação de nervos espessados e dolorosos, como o fibular comum, ulnar, auricular magno e radial, é um achado chave. Testes de sensibilidade com estesiômetro são cruciais para mapear as áreas de hipoestesia ou anestesia. A ausência de lesões cutâneas não exclui o diagnóstico, e a biópsia de nervo pode ser necessária para confirmação. O tratamento da hanseníase é feito com politerapia medicamentosa, variando conforme a forma clínica (paucibacilar ou multibacilar). O reconhecimento precoce da neuropatia hansênica é vital para prevenir sequelas neurológicas permanentes, como deformidades e incapacidades. Residentes devem estar atentos a pacientes com neuropatias inexplicadas, especialmente em áreas endêmicas, e incluir a hanseníase no diagnóstico diferencial, mesmo na ausência de lesões cutâneas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos que sugerem hanseníase neural?

A hanseníase neural é sugerida por neuropatia periférica (dormência, câimbras, fraqueza), espessamento e/ou dor à palpação de nervos periféricos (ex: fibular comum, ulnar, auricular magno), e alterações de sensibilidade, mesmo sem lesões cutâneas.

Por que o nervo fibular comum pode estar palpável na hanseníase?

O nervo fibular comum, assim como outros nervos periféricos, pode estar palpável e espessado na hanseníase devido à inflamação crônica e proliferação de células de Schwann e macrófagos infectados pelo Mycobacterium leprae.

Como diferenciar a neuropatia hansênica de outras neuropatias periféricas?

A diferenciação envolve a busca por espessamento neural, alterações de sensibilidade em áreas específicas, e a ausência de outras causas comuns como diabetes, deficiências vitamínicas ou compressões radiculares. A biópsia de nervo pode confirmar o diagnóstico.

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