FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Paciente procura ambulatório de Clínica Médica com queixa de formigamento na perna e pé esquerdos iniciado há 6 meses. Refere, ainda, que notou o aparecimento de 3 manchas indolores e não pruriginosas na mesma perna há 2 anos, sem mudança no padrão desde então. Ao exame físico, apresenta redução de sensibilidade tátil na parte dorsal do pé esquerdo e abolição de sensibilidade térmica e dolorosa nas lesões. Exame cutâneo apresenta turgor e elasticidade normais, com 3 manchas hipocrômicas na perna esquerda, indolores, medindo cerca de 2 cm de diâmetro, com bordas bem definidas, e sem pelos no local. Apresenta sensibilidade térmica e dolorosa ausente na área das lesões. Exame neurológico: redução de sensibilidade táctil na parte dorsal do pé esquerdo e abolição de sensibilidade térmica e dolorosa nas lesões. Com base em sua principal hipótese, qual o tratamento inicial a ser proposto?
Hanseníase multibacilar → PQT com Rifampicina, Dapsona e Clofazimina por 12 meses.
A hanseníase multibacilar é caracterizada por múltiplas lesões cutâneas e/ou envolvimento neural. O tratamento é a poliquimioterapia (PQT) com rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses, visando a eliminação do bacilo e prevenção de incapacidades.
A hanseníase, ou doença de Hansen, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. É uma condição de grande importância em saúde pública devido ao seu potencial de causar incapacidades permanentes se não diagnosticada e tratada precocemente. A classificação da hanseníase em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB) é crucial para definir o esquema terapêutico e a duração do tratamento. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico-epidemiológico, baseado na presença de um ou mais dos seguintes critérios: lesão cutânea com alteração de sensibilidade, espessamento de nervo periférico com alteração de sensibilidade e/ou força, e baciloscopia positiva. A suspeita deve surgir em pacientes com manchas hipocrômicas ou avermelhadas, indolores e com alteração de sensibilidade, especialmente em áreas de menor temperatura corporal. O tratamento da hanseníase é feito com poliquimioterapia (PQT) padronizada pela OMS. Para a forma multibacilar, o esquema consiste em rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses. É fundamental a adesão ao tratamento e o acompanhamento regular para monitorar reações hansênicas e prevenir sequelas neurológicas. A educação do paciente e da comunidade é vital para combater o estigma e promover a busca ativa por casos.
A hanseníase multibacilar manifesta-se com múltiplas lesões cutâneas (manchas hipocrômicas, nódulos), espessamento de nervos periféricos e perda de sensibilidade tátil, térmica e dolorosa.
O tratamento inicial para hanseníase multibacilar é a poliquimioterapia (PQT) com rifampicina, dapsona e clofazimina, administrada por 12 meses.
A hanseníase paucibacilar apresenta até 5 lesões cutâneas e baciloscopia negativa, enquanto a multibacilar tem mais de 5 lesões, ou baciloscopia positiva, ou envolvimento de múltiplos nervos.
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