Hanseníase Multibacilar: Diagnóstico e Manejo da Reação Tipo I

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Joana, 33 anos procurou o médico da família, assustada, pois sua irmã havia sido diagnosticada com hanseníase, apresentando várias manchas no corpo e queimadura nas mãos por não sentir a quentura na panela ao cozinhar. Embora não more com a irmã há 8 anos, refere que apresenta manchas no corpo, e dor intensa no braço esquerdo, há três semanas. O médico procurou tranquilizá-la e ao exame físico observou a presença de três lesões em placa, de aspecto foveolar, com cerca de 8 cm em coxas. No braço esquerdo, observou lesão em placa eritematoviolácea, muito edemaciada, com cerca de 6 cm na região do cotovelo, e choque e dor à palpação do ulnar no braço esquerdo. No abdome e dorso, observou três lesões maculares eritematosas e uma lesão eritematosa em placa. Alteração de sensibilidade térmica e dolorosa evidentes nas lesões. Diante do quadro, o médico da família deve:

Alternativas

  1. A) classificar a paciente como hanseníase Multibacilar e aguardar baciloscopia e histopatológico para iniciar tratamento PQT.
  2. B) suspeitar de hanseníase e aguardar baciloscopia pra classificar e iniciar o tratamento com PQT.
  3. C) classificar como hanseníase Multibacilar em reação tipo II, eritema nodoso. Iniciar PQT e prednisona, devido à idade fértil.
  4. D) classificar como hanseníase multibacilar com reação tipo I e neurite e iniciar PQT-MB e Prednisona.
  5. E) classificar como hanseníase paucibacilar com reação tipo I com neurite. Iniciar prednisona e aguardar baciloscopia para iniciar PQT.

Pérola Clínica

Hanseníase: múltiplas lesões + neurite + contato → MB com reação tipo I (reverter neurite com prednisona).

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos sinais de hanseníase multibacilar (mais de 5 lesões, neurite) e uma reação tipo I (reversão, eritema violáceo, edema, dor nervosa). O tratamento PQT-MB deve ser iniciado imediatamente, e a prednisona é crucial para controlar a neurite e prevenir sequelas.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. É classificada como paucibacilar (até 5 lesões, baciloscopia negativa) ou multibacilar (6 ou mais lesões, ou baciloscopia positiva). O diagnóstico precoce e o tratamento são cruciais para interromper a transmissão e prevenir incapacidades. As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, e são a principal causa de danos nervosos. A reação tipo I (reversa) é uma hipersensibilidade tardia, manifestada por inflamação de lesões cutâneas e neurite. A reação tipo II (eritema nodoso hansênico) é uma vasculite imunocomplexa, com nódulos dolorosos e sistêmicos. O tratamento da hanseníase é feito com poliquimioterapia (PQT), que varia conforme a classificação (PB ou MB). Em casos de reações hansênicas, especialmente com neurite, a prednisona é adicionada à PQT para controlar a inflamação e proteger os nervos. A vigilância e o manejo rápido das reações são essenciais para evitar sequelas permanentes.

Perguntas Frequentes

Como classificar a hanseníase em paucibacilar ou multibacilar?

A classificação é feita pelo número de lesões cutâneas: paucibacilar (PB) tem até 5 lesões, enquanto multibacilar (MB) tem 6 ou mais lesões. A baciloscopia positiva também classifica como MB, independentemente do número de lesões.

O que é uma reação tipo I na hanseníase e qual sua conduta?

A reação tipo I (reação reversa) é uma resposta imune exacerbada que causa inflamação de lesões preexistentes e nervos. A conduta inclui o início da PQT e prednisona em doses imunossupressoras para controlar a inflamação e prevenir danos nervosos.

Por que é urgente iniciar o tratamento da neurite hansênica?

A neurite é uma inflamação dos nervos periféricos que pode levar a danos permanentes, como anestesia e deformidades. O tratamento precoce com corticosteroides (prednisona) é fundamental para reduzir a inflamação e preservar a função nervosa.

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