UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Paciente, do sexo feminino, 52 anos, trabalhadora de zona rural, casada, procurou a Unidade Básica de Saúde com queixa de lesão hipocrômica em membro superior direito e membro inferior esquerdo, ambas de 3cm, com diminuição da sensibilidade tátil e dolorosa à palpação, apresentando nervo ulnar direito levemente espessado, porém sem dor. Nega fator de melhora e de piora. Restante do exame físico sem alterações. Apresenta baciloscopia positiva. A Classificação e o Tratamento mais adequado, neste caso, é:
Hanseníase: Baciloscopia positiva + >5 lesões ou espessamento neural = Multibacilar → PQT 12 meses (Rifampicina, Dapsona, Clofazimina).
A hanseníase multibacilar é caracterizada por baciloscopia positiva ou múltiplas lesões cutâneas/envolvimento neural. O tratamento é mais prolongado e com múltiplos fármacos para erradicar o bacilo e prevenir a resistência, sendo crucial para a saúde pública.
A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença crônica infecciosa que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, vias aéreas superiores, olhos e testículos. Sua epidemiologia ainda é relevante em áreas rurais e de baixa renda. A classificação da doença em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB) é fundamental para guiar o tratamento e o prognóstico, baseando-se no número de lesões cutâneas e no resultado da baciloscopia. A fisiopatologia envolve a invasão de células de Schwann e macrófagos pelo bacilo, levando à formação de granulomas e danos neurais que resultam em perda de sensibilidade e deformidades. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com a presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e/ou baciloscopia positiva. No caso apresentado, a baciloscopia positiva e as lesões com alteração de sensibilidade, além do nervo espessado, indicam claramente a forma multibacilar. O tratamento da hanseníase é feito com poliquimioterapia (PQT), um esquema medicamentoso que visa erradicar o bacilo e prevenir a resistência. Para a hanseníase multibacilar, o esquema preconizado pelo Ministério da Saúde é a combinação de Rifampicina, Dapsona e Clofazimina, administrada por 12 meses. A adesão ao tratamento é vital para a cura e para interromper a cadeia de transmissão, sendo um ponto crucial na atenção primária.
A hanseníase é classificada como multibacilar se o paciente apresentar baciloscopia positiva, ou mais de cinco lesões cutâneas, ou envolvimento de mais de um tronco nervoso, ou lesões cutâneas extensas e infiltradas.
O tratamento padrão para hanseníase multibacilar é a poliquimioterapia (PQT) com Rifampicina, Dapsona e Clofazimina, administrada por 12 meses, sob supervisão para garantir a adesão e eficácia.
A baciloscopia é crucial para a classificação da hanseníase, pois a presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) em esfregaços de linfa cutânea indica alta carga bacilar, caracterizando a forma multibacilar e guiando o esquema terapêutico.
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