Hanseníase Multibacilar: Manejo de Contatos e BCG

SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Rogério foi diagnosticado na última semana com hanseníase multibacilar e pediu para que os seus contatos intradomiciliares fossem consultar na Unidade Básica de Saúde. Sua esposa Amanda, 28 anos e seu filho Rafael, 6 anos, foram atendidos pelo médico e não apresentava nenhum sinal ou sintoma da doença. Assinale a alternativa mais adequada sobre o manejo dos contatos de Rogério:

Alternativas

  1. A) Recomendar dose da vacina BCG, caso tenham cicatriz única ou não tenham cicatriz.
  2. B) Iniciar esquema profilático com rifampicina.
  3. C) Solicitar baciloscopia para descartar hanseníase.
  4. D) Orientar que não há necessidade de seguimento na ausência de sintomas.

Pérola Clínica

Contatos de hanseníase multibacilar sem sintomas → avaliar BCG. Se sem cicatriz ou cicatriz única, indicar BCG.

Resumo-Chave

O manejo de contatos intradomiciliares de pacientes com hanseníase multibacilar é crucial para a prevenção. Mesmo assintomáticos, devem ser avaliados para a vacina BCG, que confere alguma proteção contra a doença, especialmente se não tiverem cicatriz vacinal ou apenas uma.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, vias aéreas superiores, olhos e testículos. A forma multibacilar (MB) é caracterizada pela presença de múltiplos bacilos, tornando o paciente mais contagioso e com maior risco de transmissão. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades. O manejo dos contatos intradomiciliares de pacientes com hanseníase, especialmente da forma multibacilar, é uma estratégia fundamental de controle da doença. Contatos são pessoas que convivem ou conviveram com o paciente e, portanto, têm maior risco de desenvolver a doença. A avaliação desses contatos na Unidade Básica de Saúde (UBS) é obrigatória e deve incluir exame dermatoneurológico completo para identificar sinais e sintomas precoces da hanseníase. Para contatos que não apresentam sinais ou sintomas da doença, a recomendação mais adequada no Brasil é a avaliação do status vacinal da BCG. A vacina BCG, utilizada na prevenção da tuberculose, confere uma proteção parcial contra a hanseníase. Se o contato não tiver cicatriz vacinal ou tiver apenas uma cicatriz, é indicada a aplicação de uma dose da vacina BCG. A quimioprofilaxia com rifampicina não é a conduta padrão para todos os contatos assintomáticos no contexto brasileiro, sendo a BCG a principal medida preventiva nesse cenário.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da vacina BCG na prevenção da hanseníase?

A vacina BCG, embora desenvolvida para tuberculose, confere alguma proteção cruzada contra a hanseníase, especialmente as formas mais graves. É recomendada para contatos de hanseníase que não apresentam sinais da doença e que não foram vacinados ou possuem apenas uma cicatriz vacinal.

Quem são considerados contatos intradomiciliares de hanseníase?

Contatos intradomiciliares são pessoas que residem ou residiram com o paciente com hanseníase nos últimos cinco anos, compartilhando o mesmo ambiente e, portanto, com maior risco de exposição ao Mycobacterium leprae.

Quando a quimioprofilaxia com rifampicina é indicada para contatos de hanseníase?

A quimioprofilaxia com dose única de rifampicina (SDR) para contatos de hanseníase é uma estratégia mais recente e específica, indicada em contextos selecionados e sob protocolos de pesquisa ou programas específicos, não sendo a conduta padrão para todos os contatos assintomáticos no Brasil. A principal recomendação ainda é a avaliação e, se indicada, a vacinação com BCG.

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