Tratamento da Hanseníase Multibacilar: Protocolo PQT

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 45 anos, procedente do norte do país, procura atendimento devido a uma lesão em antebraço direito. Ao exame é encontrada mais uma lesão, próxima a primeira, sendo hipocrômicas, margens bem definidas, com bordas elevadas, indolor. Nota-se também a presença de espessamento em filetes nervosos perto das lesões. A respeito do tratamento, é CORRETO:

Alternativas

  1. A) O tratamento é feito com rifampicina, dapsona e clofazimina, diariamente e dose mensal das três drogas por 12 meses.
  2. B) O tratamento é feito com rifampicina e dapsona, diariamente e dose mensal de rifampicina, clofazimina e dapsona por 6 meses.
  3. C) O tratamento é feito com rifampicina, dapsona por 12 meses diariamente e dose mensal de rifampicina, dapsona e clofazimina por 6 meses.
  4. D) O tratamento é feito com rifampicina, dapsona e clofazimina por 6 meses diariamente e dose mensal das três drogas por 12 meses.

Pérola Clínica

Hanseníase MB (≥ 6 lesões ou acometimento nervoso) → Rifampicina + Dapsona + Clofazimina por 12 meses.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Hanseníase no Brasil é clínico. A presença de espessamento de troncos nervosos ou mais de 5 lesões classifica o paciente como Multibacilar (MB), exigindo o esquema tríplice (Rifampicina, Dapsona e Clofazimina) por 12 meses.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae. No Brasil, o diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na perda de sensibilidade em lesões cutâneas ou trajetos nervosos. O espessamento de nervos periféricos, como o ulnar, radial ou fibular comum, é um sinal patognomônico de dano neural e obriga a classificação como Multibacilar.\n\nO tratamento com a Poliquimioterapia Única (PQT-U) visa interromper a transmissão e prevenir incapacidades físicas. A adesão é crítica, e o acompanhamento envolve não apenas a cura bacteriológica, mas a prevenção de deformidades através de exercícios e cuidados com as áreas anestesiadas. O esquema de 12 meses para MB é robusto e eficaz na maioria dos casos clínicos encontrados na prática ambulatorial.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Hanseníase Paucibacilar de Multibacilar?

A classificação é operacional para fins de tratamento. A Hanseníase Paucibacilar (PB) é definida pela presença de até 5 lesões cutâneas e nenhum tronco nervoso acometido. A Hanseníase Multibacilar (MB) é definida pela presença de 6 ou mais lesões cutâneas OU o acometimento (espessamento/dor) de qualquer tronco nervoso, independentemente do número de lesões na pele. A baciloscopia, se disponível, positiva também classifica como MB.

Qual a composição do esquema PQT-MB?

O esquema Multibacilar (PQT-MB) utiliza três drogas: Rifampicina, Dapsona e Clofazimina. A administração consiste em uma dose mensal supervisionada (Rifampicina 600mg, Clofazimina 300mg e Dapsona 100mg) e doses diárias autoadministradas (Dapsona 100mg e Clofazimina 50mg). O tratamento padrão dura 12 meses, podendo ser estendido em casos específicos.

O que fazer em caso de reação hansênica durante o tratamento?

As reações hansênicas (Tipo 1 ou Tipo 2) não indicam falha terapêutica e o tratamento com PQT NÃO deve ser interrompido. A Reação Tipo 1 (reversa) é tratada geralmente com Corticosteroides (Prednisona), enquanto a Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico) é tratada preferencialmente com Talidomida (exceto em mulheres em idade fértil) ou Corticosteroides.

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