Hanseníase Multibacilar: Diagnóstico e Manejo do Eritema Nodoso

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

M.G.S.S., de 25 anos, solteira, cabeleireira, nega uso de medicamentos de forma contínua. Queixa-se de início de febre há três dias. Fez uso de dipirona. Há dois dias, surgiram nódulos eritematosos dolorosos em membros superiores e membros inferiores. Procurou atendimento médico e, ao exame dermatológico, apresentava, além dos nódulos, máculas eritematosas mal definidas, algumas de centro poupado, disseminadas. A paciente informava ter esses sintomas há alguns meses e que usou apenas medicamentos tópicos para micose, por conta própria. No momento da consulta, foi feito o teste de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa, que estavam todos alterados. Diante do quadro, o tratamento a ser realizado será:

Alternativas

  1. A) suspensão da dipirona e uso de Prednisona 0,5 mg/kg/dia.
  2. B) Itraconazol oral, 100 mg, ao dia, por 14 dias.
  3. C) Prednisona 1 mg/kg/dia associada à PQT/MB.
  4. D) Rifampicina, isoniazida e talidomida, 100 mg/dia.

Pérola Clínica

Hanseníase multibacilar com eritema nodoso (reação tipo 2) → PQT/MB + Prednisona 1 mg/kg/dia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro clínico sugestivo de Hanseníase Virchowiana (multibacilar) com reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico) e comprometimento neural (alteração de sensibilidade). O tratamento envolve a poliquimioterapia multibacilar (PQT/MB) e corticoterapia sistêmica para controlar a reação inflamatória.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente pele e nervos periféricos. A Hanseníase Virchowiana (multibacilar) é uma forma mais grave, com alta carga bacilar e maior risco de reações imunológicas, como o eritema nodoso hansênico. O eritema nodoso hansênico (reação tipo 2) manifesta-se com nódulos eritematosos dolorosos, febre e mal-estar, podendo levar a danos neurais irreversíveis se não tratado. O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial (baciloscopia). A alteração da sensibilidade é um achado chave. O tratamento da Hanseníase Virchowiana é feito com poliquimioterapia multibacilar (PQT/MB), que inclui Rifampicina, Dapsona e Clofazimina. Em casos de eritema nodoso hansênico, a PQT/MB deve ser mantida e associada a corticoterapia sistêmica (Prednisona 1 mg/kg/dia) para controlar a reação inflamatória.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Hanseníase Virchowiana (multibacilar)?

A Hanseníase Virchowiana é caracterizada por múltiplas lesões cutâneas (máculas, pápulas, nódulos, placas), infiltração difusa da pele, alopecia de supercílios, espessamento de nervos periféricos e baciloscopia positiva.

O que é o eritema nodoso hansênico e como ele é tratado?

O eritema nodoso hansênico é uma reação tipo 2 da hanseníase, caracterizada por nódulos eritematosos dolorosos na pele. Seu tratamento envolve corticoterapia sistêmica (Prednisona) para controlar a inflamação, além da manutenção da poliquimioterapia específica para a hanseníase.

Por que o teste de sensibilidade é importante no diagnóstico da hanseníase?

O teste de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa é crucial no diagnóstico da hanseníase, pois a doença afeta os nervos periféricos, levando à perda de sensibilidade nas áreas afetadas. A alteração da sensibilidade é um dos pilares diagnósticos.

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