HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020
Um paciente de 43 anos de idade, trabalhador rural, procurou atendimento na unidade básica de saúde em razão do aparecimento de múltiplos nódulos faciais se desenvolvendo nos seis últimos meses, associado a manchas hipocrômicas em dorso (totalizando 10 manchas), com dificuldade de fechamento ocular associado a conjuntivite bilateral e perda da sensibilidade em mãos. Ele não tinha febre, calafrios e nem sudorese noturna. Em questionamentos adicionais, ele admitiu que tinha um tio com lesões faciais semelhantes. Os testes de laboratório indicaram testes para HIV negativos e hemograma completo normal. O médico pegou um esfregaço de pele com coloração ácido-rápida das fendas das orelhas e as enviou para microscopia que revelou Mycobacterium leprae. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, assinale a alternativa correta.
Hanseníase multibacilar (nódulos, >5 lesões, baciloscopia +) → PQT com rifampicina, dapsona e clofazimina.
O caso clínico descreve um paciente com hanseníase multibacilar (virchowiana), caracterizada por múltiplos nódulos faciais, mais de cinco lesões de pele e baciloscopia positiva para Mycobacterium leprae. O tratamento padrão para essa forma é a poliquimioterapia (PQT) com rifampicina, dapsona e clofazimina, administrada por 12 meses.
A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. A classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) divide a doença em paucibacilar (PB) e multibacilar (MB), baseada no número de lesões cutâneas e na baciloscopia, o que direciona o tratamento. O caso clínico apresentado descreve um quadro típico de hanseníase multibacilar, com múltiplos nódulos, lesões hipocrômicas e comprometimento neural (perda de sensibilidade e dificuldade de fechamento ocular). A baciloscopia positiva confirma a alta carga bacilar. A transmissão ocorre por contato próximo e prolongado com pacientes não tratados, sendo o diagnóstico precoce e o tratamento essenciais para interromper a cadeia de transmissão. O tratamento da hanseníase é a poliquimioterapia (PQT), uma combinação de medicamentos que visa eliminar o bacilo e prevenir a resistência. Para a forma multibacilar, o esquema inclui rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses. As reações hansênicas são complicações imunológicas que podem ocorrer e requerem manejo específico, muitas vezes com corticosteroides. A talidomida é utilizada para o tratamento do eritema nodoso hansênico (reação tipo 2), mas é contraindicada em mulheres em idade fértil devido ao seu potencial teratogênico.
A hanseníase multibacilar (MB) é caracterizada pela presença de múltiplos nódulos, placas, infiltrações ou mais de cinco lesões de pele, frequentemente simétricas. Há comprometimento neural mais extenso e a baciloscopia é positiva, indicando alta carga bacilar. O paciente do caso, com nódulos faciais e 10 manchas, se encaixa nessa classificação.
O tratamento da hanseníase multibacilar é feito com poliquimioterapia (PQT-MB), que consiste na associação de rifampicina, dapsona e clofazimina. A rifampicina é administrada mensalmente, e a dapsona e clofazimina são diárias, por um período de 12 meses, sob supervisão.
As reações hansênicas são fenômenos imunológicos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, indicando um aumento da atividade da doença. Existem dois tipos principais: Reação Tipo 1 (reversa), que causa inflamação aguda das lesões de pele e nervos, e Reação Tipo 2 (eritema nodoso hansênico), que se manifesta com nódulos cutâneos dolorosos, febre e acometimento sistêmico. Elas requerem manejo específico, como corticosteroides ou talidomida.
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