Manifestações Oculares da Hanseníase: Diagnóstico e Sinais

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Sobre a hanseníase, pode-se afirmar:

Alternativas

  1. A) O comprometimento do nervo óptico é a manifestação ocular mais comum.
  2. B) Causa madarose de cílios e sobrancelhas em fases precoces da doença.
  3. C) Esclerite, episclerite, atrofia iriana e ceratite punctata avascular (“em pó de giz”) são manifestações do acometimento ocular.
  4. D) Nos estágios finais da doença, observam-se nervos corneanos espessados e dilatados.

Pérola Clínica

Hanseníase ocular = Esclerite + Atrofia iriana + Ceratite 'em pó de giz' (punctata avascular).

Resumo-Chave

O comprometimento ocular na hanseníase é grave e diversificado, caracterizando-se por processos inflamatórios como esclerite e alterações degenerativas específicas como a ceratite punctata avascular.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alta afinidade por nervos periféricos e pele. O olho é um dos órgãos mais afetados devido à sua baixa temperatura e rica rede nervosa, fatores que favorecem a proliferação bacilar. As lesões oculares podem ser divididas em diretas (invasão bacilar causando ceratite e uveíte) e indiretas (secundárias à neuropatia do trigêmeo ou facial). A ceratite punctata avascular é um achado patognomônico importante. O diagnóstico precoce e o acompanhamento oftalmológico regular são cruciais para prevenir a cegueira, que muitas vezes resulta de complicações evitáveis como a ceratite de exposição e a catarata secundária à inflamação crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da hanseníase no segmento anterior do olho?

No segmento anterior, a hanseníase pode causar episclerite e esclerite nodular. Uma alteração muito característica é a ceratite punctata avascular, descrita como 'em pó de giz', que ocorre pela invasão direta de bacilos no estroma corneano superior. Além disso, a uveíte anterior crônica pode levar à atrofia iriana progressiva, muitas vezes começando pela margem pupilar, resultando em uma pupila irregular e hiporreativa.

A hanseníase afeta o nervo óptico com frequência?

Não. Ao contrário do que se possa pensar, o comprometimento do nervo óptico não é a manifestação ocular mais comum da hanseníase. A doença afeta predominantemente o segmento anterior e os anexos oculares. O dano neural mais comum é o do nervo facial (VII par), que causa lagoftalmo (impossibilidade de fechar as pálpebras), levando à ceratite de exposição e úlceras de córnea secundárias.

O que acontece com os nervos corneanos na hanseníase?

Nas fases iniciais e intermediárias da doença, é comum observar o espessamento dos nervos corneanos (nervos em 'contas de rosário'), que se tornam visíveis à biomicroscopia. No entanto, com a progressão da doença e a destruição das fibras nervosas pelo Mycobacterium leprae, ocorre perda da sensibilidade corneana (hipestesia ou anestesia), o que predispõe o paciente a traumas e infecções despercebidas.

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