CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Sobre a hanseníase, pode-se afirmar:
Hanseníase ocular = Esclerite + Atrofia iriana + Ceratite 'em pó de giz' (punctata avascular).
O comprometimento ocular na hanseníase é grave e diversificado, caracterizando-se por processos inflamatórios como esclerite e alterações degenerativas específicas como a ceratite punctata avascular.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alta afinidade por nervos periféricos e pele. O olho é um dos órgãos mais afetados devido à sua baixa temperatura e rica rede nervosa, fatores que favorecem a proliferação bacilar. As lesões oculares podem ser divididas em diretas (invasão bacilar causando ceratite e uveíte) e indiretas (secundárias à neuropatia do trigêmeo ou facial). A ceratite punctata avascular é um achado patognomônico importante. O diagnóstico precoce e o acompanhamento oftalmológico regular são cruciais para prevenir a cegueira, que muitas vezes resulta de complicações evitáveis como a ceratite de exposição e a catarata secundária à inflamação crônica.
No segmento anterior, a hanseníase pode causar episclerite e esclerite nodular. Uma alteração muito característica é a ceratite punctata avascular, descrita como 'em pó de giz', que ocorre pela invasão direta de bacilos no estroma corneano superior. Além disso, a uveíte anterior crônica pode levar à atrofia iriana progressiva, muitas vezes começando pela margem pupilar, resultando em uma pupila irregular e hiporreativa.
Não. Ao contrário do que se possa pensar, o comprometimento do nervo óptico não é a manifestação ocular mais comum da hanseníase. A doença afeta predominantemente o segmento anterior e os anexos oculares. O dano neural mais comum é o do nervo facial (VII par), que causa lagoftalmo (impossibilidade de fechar as pálpebras), levando à ceratite de exposição e úlceras de córnea secundárias.
Nas fases iniciais e intermediárias da doença, é comum observar o espessamento dos nervos corneanos (nervos em 'contas de rosário'), que se tornam visíveis à biomicroscopia. No entanto, com a progressão da doença e a destruição das fibras nervosas pelo Mycobacterium leprae, ocorre perda da sensibilidade corneana (hipestesia ou anestesia), o que predispõe o paciente a traumas e infecções despercebidas.
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