CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
Mulher, 45 anos, há 8 meses com alopecia, artrite, parestesia nos membros inferiores e placas eritematosas disseminadas pelo tegumento. Apresentava anticorpo anticardiolipina IgG e FAN (1:160) positivos; complemento sérico e frações estavam dentro do padrão de normalidade. Em relação ao caso clínico, pode-se afirmar:
Alopecia + artrite + parestesia + placas eritematosas + FAN/anticardiolipina positivos (mas complemento normal) → Considerar Hanseníase, investigar com baciloscopia/biópsia.
Embora a presença de FAN e anticorpo anticardiolipina sugira doença autoimune, a combinação de alopecia, artrite, parestesia e placas cutâneas, especialmente com complemento normal, deve levantar a suspeita de hanseníase em áreas endêmicas. A confirmação diagnóstica requer baciloscopia e biópsia cutânea.
A hanseníase, ou lepra, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. Apesar de ser uma doença antiga, ainda é endêmica em algumas regiões do Brasil e pode apresentar um espectro clínico variado, mimetizando outras condições, incluindo doenças autoimunes. O reconhecimento de suas manifestações é vital para o diagnóstico precoce e a interrupção da cadeia de transmissão. As manifestações clínicas da hanseníase são diversas e dependem da resposta imune do hospedeiro. Podem incluir lesões cutâneas (máculas hipocrômicas ou eritematosas, placas, nódulos), neuropatia periférica (parestesias, anestesia, fraqueza muscular, atrofias, espessamento de nervos), artrite e, menos comumente, alopecia. A presença de autoanticorpos, como FAN e anticardiolipina, pode ser um achado incidental ou reflexo de uma resposta imune inespecífica em doenças crônicas, o que pode confundir o diagnóstico com lúpus eritematoso sistêmico ou síndrome antifosfolípide. No entanto, a normalidade do complemento sérico, que geralmente está consumido em lúpus ativo, é um ponto a ser considerado. Diante de um quadro clínico complexo com acometimento cutâneo e neurológico, a investigação para hanseníase é imperativa, especialmente em áreas endêmicas. O diagnóstico é confirmado pela identificação do bacilo de Hansen através de baciloscopia de esfregaços intradérmicos (linfa) ou pela histopatologia de biópsia de pele ou nervo. O tratamento é feito com politerapia medicamentosa (PQT), que varia conforme a forma clínica (paucibacilar ou multibacilar), e é essencial para a cura e prevenção de incapacidades.
A hanseníase pode apresentar lesões cutâneas variadas (máculas, placas, nódulos), neuropatia periférica (parestesias, perda de sensibilidade), artrite e alopecia, que podem ser confundidas com lúpus, artrite reumatoide ou outras colagenoses.
A baciloscopia de esfregaços de linfa (principalmente de lóbulos de orelha, cotovelos e joelhos) e a biópsia de lesões cutâneas ou nervos afetados permitem a identificação do Mycobacterium leprae, confirmando o diagnóstico e classificando a forma da doença.
Embora autoanticorpos possam estar presentes em ambas, a hanseníase se caracteriza por acometimento neural mais proeminente e lesões cutâneas específicas. A biópsia e baciloscopia são definitivas para hanseníase, enquanto o LES requer critérios clínicos e laboratoriais mais amplos, incluindo consumo de complemento.
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