SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2025
Um paciente de 35 anos, trabalhador rural, apresenta-se ao serviço de saúde com queixas de lesões na pele hipopigmentadas e perda de sensibilidade ao calor e dor nas áreas afetadas. No exame físico, observa-se espessamento de nervos periféricos e a presença de manchas claras, com bordas bem delimitadas, em membros superiores e inferiores. O diagnóstico presuntivo de hanseníase foi levantado. Sobre a hanseníase, é correto afirmar que: I. A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, que tem tropismo por pele e nervos periféricos. II. A forma paucibacilar da hanseníase é caracterizada por um número menor de lesões, teste de Mitsuda negativo, e maior carga bacilar. III. O tratamento da hanseníase envolve poliquimioterapia com rifampicina, dapsona e clofazimina, sendo o tempo de tratamento dependente da forma clínica. IV. A transmissão da hanseníase ocorre principalmente por contato direto com lesões de pele abertas de pacientes não tratados. V. As reações hansênicas são complicações inflamatórias da doença e podem ser tratadas com corticosteroides em casos graves. Está correto apenas o que se afirma em:
Hanseníase = M. leprae → lesões cutâneas com alteração de sensibilidade + espessamento de nervos periféricos.
O diagnóstico da hanseníase é clínico-epidemiológico, baseado na tríade: lesões de pele com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e baciloscopia positiva. A classificação em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) é crucial, pois define o esquema de poliquimioterapia (PQT) e o tempo de tratamento.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, que possui alta infectividade mas baixa patogenicidade. Endêmica no Brasil, representa um importante problema de saúde pública devido ao seu potencial de causar incapacidades físicas permanentes se não diagnosticada e tratada precocemente. A doença afeta primariamente a pele e os nervos periféricos. A apresentação clínica da hanseníase depende da resposta imune celular do hospedeiro ao M. leprae. O diagnóstico é fundamentalmente clínico, baseado na identificação de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) e/ou espessamento de troncos nervosos periféricos. A classificação operacional em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) é crucial para definir o esquema terapêutico. O tratamento padrão-ouro é a poliquimioterapia (PQT), que consiste na associação de rifampicina, dapsona e clofazimina (para MB), disponibilizada gratuitamente pelo SUS. Durante ou após o tratamento, podem ocorrer as reações hansênicas (reação reversa tipo 1 e eritema nodoso hansênico tipo 2), que são exacerbações inflamatórias agudas e requerem manejo específico, frequentemente com corticosteroides, para prevenir danos neurais irreversíveis.
Os sinais cardinais são: 1) lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa e/ou tátil); 2) espessamento de nervos periféricos, associado a alterações sensitivas e/ou motoras; e 3) baciloscopia positiva no esfregaço intradérmico. A presença de um desses sinais firma o diagnóstico.
A reação tipo 1 (reação reversa) é uma exacerbação da imunidade celular e é tratada com prednisona para prevenir dano neural. A reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico) é mediada por imunocomplexos e tratada com talidomida ou prednisona.
A paucibacilar (PB) tem até 5 lesões de pele e/ou apenas 1 tronco nervoso acometido, com baciloscopia negativa. A multibacilar (MB) tem mais de 5 lesões, mais de 1 tronco nervoso acometido, ou baciloscopia positiva, independentemente do número de lesões.
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