Hanseníase: Diagnóstico, Tratamento e Reações Hansênicas

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2022

Enunciado

Sobre Hanseníase, analise as afirmativas e considere a opção correta. (   ) O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, portanto, baciloscopia negativa não exclui o diagnóstico. (   ) No exame físico devemos inspecionar toda a pele despida do paciente a fim de identificar lesões suspeitas. Também no exame físico, é importante avaliar espessamento neural e sensibilidade da lesão. (   ) O tratamento deve ser suspenso sempre que houver reação hansênica naquela individuo em tratamento. (   ) As recomendações para ministrar a vacina BCG são: ministrar duas doses em pacientes sem cicatriz vacinal; ministrar uma dose em pacientes com uma cicatriz vacinal; não ministrar a vacina em caso de duas cicatrizes.

Alternativas

  1. A) VFFF.
  2. B) FVVF.
  3. C) VVFV.
  4. D) VVFF.

Pérola Clínica

Diagnóstico hanseníase é clínico-epidemiológico; baciloscopia negativa não exclui. Reação hansênica NÃO suspende tratamento.

Resumo-Chave

O diagnóstico da hanseníase é primariamente clínico e epidemiológico, e uma baciloscopia negativa não afasta a doença, especialmente nas formas paucibacilares. O exame físico detalhado da pele e nervos é crucial. Reações hansênicas são intercorrências que exigem tratamento específico, mas não a suspensão da politerapia.

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. O Brasil é um dos países com maior carga da doença, tornando seu diagnóstico e manejo cruciais para a saúde pública. O diagnóstico é predominantemente clínico e epidemiológico, baseado na identificação de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e, em alguns casos, pela baciloscopia positiva. É fundamental que o exame físico seja minucioso, inspecionando toda a pele e avaliando a sensibilidade e a integridade neural. As reações hansênicas são fenômenos imunológicos agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, e representam uma das principais causas de incapacidades físicas na hanseníase. Existem dois tipos principais: a Reação Tipo 1 (Reação Reversa) e a Reação Tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico). É um erro comum suspender a politerapia (PQT) durante uma reação hansênica; na verdade, a PQT deve ser mantida e o tratamento da reação (geralmente com corticosteroides) deve ser iniciado prontamente para prevenir danos neurais permanentes. A vacina BCG tem um papel na profilaxia da hanseníase, oferecendo proteção parcial e sendo recomendada para contatos intradomiciliares de casos confirmados, especialmente aqueles sem cicatriz vacinal ou com apenas uma. A politerapia, que consiste na combinação de rifampicina, dapsona e clofazimina, é o tratamento padrão e deve ser rigorosamente seguida para garantir a cura e evitar a resistência medicamentosa. A adesão ao tratamento e o acompanhamento das reações são essenciais para o prognóstico do paciente e para o controle da doença na comunidade.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico da hanseníase?

O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento neural e/ou baciloscopia positiva. A baciloscopia negativa não exclui o diagnóstico, especialmente nas formas paucibacilares.

Qual a conduta em caso de reação hansênica durante o tratamento?

Em caso de reação hansênica, o tratamento específico para a reação (geralmente com corticosteroides) deve ser iniciado, mas a politerapia para a hanseníase deve ser mantida. A suspensão da politerapia é um erro e pode levar à resistência medicamentosa.

Qual o papel da vacina BCG na hanseníase?

A vacina BCG confere alguma proteção contra a hanseníase, especialmente as formas mais graves. É recomendada como profilaxia para contatos de hanseníase, seguindo critérios específicos de cicatriz vacinal e número de doses, mas não para o paciente já diagnosticado.

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