IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Paciente homem, 67 anos, morador da zona rural, pardo, comparece à consulta com a médica de família e comunidade com queixa de mancha branca na pele. Diz não se lembrar de quando surgiu, mas que, quando notou sua presença, achou estranho que não tinha sensibilidade tática, térmica ou dolorosa sobre ela. Ainda, havia queda dos pelos e diminuição da sudorese na região. A respeito da provável patologia, assinale a alternativa correta.
Hanseníase: Paucibacilar = até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa; Multibacilar = ≥ 6 lesões ou baciloscopia positiva.
A classificação da hanseníase em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) é crucial para definir o esquema terapêutico e a duração do tratamento. Essa classificação se baseia no número de lesões cutâneas e no resultado da baciloscopia, refletindo a carga bacilar do paciente.
A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, olhos e trato respiratório superior. É uma das doenças mais antigas da humanidade, ainda endêmica em algumas regiões, e sua importância reside na capacidade de causar incapacidades físicas permanentes se não tratada precocemente. A fisiopatologia envolve a lenta replicação do bacilo em macrófagos e células de Schwann, levando à inflamação e dano neural. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e, por vezes, baciloscopia positiva. A classificação operacional em paucibacilar (até 5 lesões e baciloscopia negativa) e multibacilar (6 ou mais lesões ou baciloscopia positiva) é fundamental para guiar o tratamento. O tratamento da hanseníase é feito com politerapia (MDT - Multidrug Therapy) fornecida gratuitamente pelo SUS, com esquemas específicos para as formas paucibacilar (rifampicina e dapsona por 6 meses) e multibacilar (rifampicina, dapsona e clofazimina por 12 meses). O tratamento é eficaz na cura da doença e na interrupção da cadeia de transmissão, mas o manejo das reações hansênicas e a prevenção de incapacidades são desafios contínuos na prática clínica.
Os principais sinais incluem manchas na pele com alteração de sensibilidade (tátil, térmica, dolorosa), queda de pelos (madarose), diminuição da sudorese, espessamento de nervos periféricos e, em casos avançados, deformidades.
A classificação em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) determina o esquema politerápico (medicamentos e duração). Pacientes PB recebem tratamento mais curto (6 meses) e com menos drogas que os MB (12 meses).
O diagnóstico é clínico-epidemiológico, mas a baciloscopia de raspado intradérmico (da orelha, cotovelo e lesões) pode confirmar a presença do Mycobacterium leprae e auxiliar na classificação, sendo positiva em casos multibacilares.
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