CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022
Paciente do sexo masculino, proveniente de Caapiranga, apresenta, há quase 2 anos, mais de vinte placas eritematosas com tamanhos que variam de 3 a 15 cm de diâmetro, com algumas lesões satélites menores periféricas, localizadas em tronco e membros. Aos testes de sensibilidades térmica e dolorosa há diminuição da sensibilidade e na palpação de nervos periféricos evidenciou-se espessamento de nervo ulnar direito e ambos os nervos tibiais posteriores. Baciloscopia de pele negativa. Qual o provável diagnóstico clínico?
Múltiplas placas, hipoestesia, espessamento neural e baciloscopia negativa → Hanseníase Borderline Tuberculóide.
A hanseníase borderline tuberculóide é caracterizada por múltiplas lesões cutâneas (placas eritematosas com lesões satélites), comprometimento neural (espessamento de nervos periféricos e alteração de sensibilidade) e baciloscopia de pele frequentemente negativa. Essa forma está no espectro intermediário da doença, mais próxima do polo tuberculóide.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. A classificação da hanseníase é crucial para o diagnóstico e tratamento, sendo a classificação de Ridley-Jopling a mais detalhada, com um espectro que vai da forma tuberculóide (TT) à lepromatosa (LL), passando pelas formas borderline (BT, BB, BL). A hanseníase borderline tuberculóide (BT) situa-se no polo tuberculóide do espectro borderline. Clinicamente, é caracterizada por múltiplas lesões cutâneas, geralmente placas eritematosas ou hipocrômicas, de tamanhos variados, com bordas bem definidas e lesões satélites. O comprometimento neural é proeminente, com espessamento de múltiplos nervos periféricos e áreas de diminuição ou perda de sensibilidade térmica e dolorosa. A baciloscopia de pele é frequentemente negativa, refletindo uma resposta imune celular do hospedeiro relativamente eficaz, que consegue conter a proliferação bacteriana, mas não eliminá-la completamente. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, baseado na presença de um ou mais dos seguintes critérios: lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos com alteração de sensibilidade e/ou força motora, e baciloscopia positiva. A forma BT é classificada como multibacilar para fins de tratamento, devido ao número de lesões, mesmo com baciloscopia negativa. O tratamento é feito com politerapia, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, visando a cura e a prevenção de incapacidades físicas.
A hanseníase borderline tuberculóide (BT) apresenta múltiplas placas eritematosas ou hipocrômicas, bem definidas, com lesões satélites menores na periferia. Há comprometimento neural significativo, com espessamento de nervos periféricos e áreas de hipoestesia ou anestesia, mas a baciloscopia de pele é frequentemente negativa.
A forma tuberculóide pura (TT) geralmente apresenta poucas lesões (até 5), bem delimitadas, e um comprometimento neural mais localizado. A forma BT, por sua vez, tem um número maior de lesões (mais de 5, com satélites) e um comprometimento neural mais disseminado, embora ainda com baciloscopia negativa, indicando uma resposta imune mais robusta que nas formas lepromatosas.
O espessamento de nervos periféricos, como o ulnar, fibular comum e tibial posterior, é um sinal cardinal da hanseníase e indica o comprometimento neural pela bactéria. Associado à alteração de sensibilidade e lesões cutâneas, é um dos pilares para o diagnóstico clínico da doença, independentemente do resultado da baciloscopia.
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