UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
A Hanseníase, antigamente conhecida como lepra, é uma doença infecto contagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente, a pele, os olhos, o nariz e os nervos periféricos. (Guia Prático-sobre a hanseníase-Brasilia-DF-2017).Sobre este assunto responda os questionamentos abaixo:a) Como se dá a propagação desta doença e quando termina seu período de transmissibilidade?\nb) Qual seu período de incubação e como podemos realizar o diagnóstico clínico e laboratorial?\nc) Qual o quadro clínico da Hanseníase Tuberculoide?d) Qual o quadro clínico da Hanseníase Wirshoviana?\ne) Escreva o tratamento completo da Hanseníase paucibacilar e da multibacilar.(Nota Informativa-Hanseníase-Ceará-2021).
Hanseníase = lesão de pele com alteração de sensibilidade (térmica → dolorosa → tátil).
O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, baseado na perda de sensibilidade em lesões cutâneas ou trajetos nervosos, com tratamento padronizado pela OMS (PQT).
A hanseníase é uma doença granulomatosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente com tropismo por pele e nervos periféricos. O Brasil é um dos países com maior carga da doença no mundo. O espectro clínico depende da resposta imune do hospedeiro (Th1 vs Th2). O diagnóstico precoce e o tratamento com PQT são as principais estratégias para prevenir incapacidades físicas e interromper a cadeia de transmissão. O manejo de reações hansênicas (Tipo 1 e Tipo 2) também é parte fundamental do cuidado ao paciente.
A Hanseníase Tuberculoide (Paucibacilar) ocorre em pacientes com boa imunidade celular, apresentando poucas lesões (até 5), bem delimitadas, com perda total de sensibilidade e baciloscopia negativa. Já a Hanseníase Virchowiana (Multibacilar) ocorre em pacientes com imunidade celular deficiente, apresentando múltiplas lesões mal delimitadas, infiltração difusa (fácies leonina), madarose, comprometimento sistêmico e baciloscopia fortemente positiva. A forma Virchowiana é a principal fonte de transmissão da doença.
O tratamento para Hanseníase Multibacilar (MB) consiste na Poliquimioterapia (PQT) padrão OMS, composta por Rifampicina (600mg mensal supervisionada), Dapsona (100mg mensal supervisionada e 100mg diária autoadministrada) e Clofazimina (300mg mensal supervisionada e 50mg diária autoadministrada). A duração do tratamento é de 12 doses mensais em até 18 meses. Atualmente, o Ministério da Saúde também adota o esquema PQT-U (único) para simplificação, mas a distinção clínica permanece vital.
A transmissão ocorre pelas vias aéreas superiores (gotículas) através do contato próximo e prolongado com pacientes multibacilares sem tratamento. O período de incubação é longo, variando de 2 a 7 anos em média. A transmissibilidade cessa logo após o início do tratamento regular com a poliquimioterapia, pois a primeira dose de Rifampicina é capaz de eliminar 99,9% dos bacilos viáveis, tornando o paciente não infectante rapidamente.
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