Hábito Intestinal Irregular: Investigação e Causas Comuns

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente feminina, 29 anos, diagnóstico depressão há 4 anos em tratamento com fluoxetina 20mg/dia, vem à consulta na unidade local de saúde com queixas de fadiga e hábito intestinal “irregular” nos últimos 3 meses. Períodos de evacuações em média a cada 3-4 dias, com fezes ressecadas, alternadas com períodos de evacuações pastosas, além de desconforto abdominal. Sem outros sintomas/sinais na história e exame físico. Assinale a alternativa com a conduta inicial mais indicada para o quadro clínico descrito.

Alternativas

  1. A) Trocar o antidepressivo.
  2. B) Solicitar colonoscopia.
  3. C) Solicitar ultrassom de abdome.
  4. D) Solicitar hemograma, TSH e parasitológico de fezes.
  5. E) Orientar um teste terapêutico com dieta sem lactose.

Pérola Clínica

Hábito intestinal irregular + fadiga → investigar causas sistêmicas como hipotireoidismo e parasitoses antes de diagnósticos funcionais.

Resumo-Chave

Em pacientes com queixas de fadiga e alteração do hábito intestinal (diarreia e constipação alternadas), é crucial excluir causas orgânicas comuns como hipotireoidismo e parasitoses intestinais antes de considerar diagnósticos funcionais como a Síndrome do Intestino Irritável.

Contexto Educacional

A queixa de hábito intestinal 'irregular', com alternância entre constipação e diarreia, associada à fadiga, é um cenário clínico comum na atenção primária e pode ter diversas etiologias. É fundamental uma abordagem diagnóstica sistemática para diferenciar causas orgânicas de funcionais, garantindo um tratamento adequado e evitando investigações desnecessárias ou tardias. A fisiopatologia desses sintomas pode ser variada. A fadiga pode ser um sintoma inespecífico de diversas condições, incluindo hipotireoidismo, anemia ou infecções crônicas (como parasitoses). As alterações do hábito intestinal podem refletir disfunções da motilidade gastrointestinal, inflamação, má absorção ou efeitos de medicamentos. A fluoxetina, por exemplo, pode causar alterações gastrointestinais. O diagnóstico inicial deve focar na exclusão de causas orgânicas tratáveis, como hipotireoidismo (TSH) e parasitoses (parasitológico de fezes), além de anemia (hemograma). A conduta inicial, portanto, envolve a solicitação de exames laboratoriais básicos para rastrear essas condições. Somente após a exclusão de causas orgânicas comuns é que se deve considerar diagnósticos como a Síndrome do Intestino Irritável, que é um diagnóstico de exclusão baseado em critérios clínicos. O tratamento será direcionado à causa identificada. O prognóstico é geralmente bom com o diagnóstico e tratamento corretos. Pontos de atenção incluem a revisão da medicação em uso e a consideração de fatores psicossociais que podem influenciar os sintomas gastrointestinais.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas comuns de fadiga e alteração do hábito intestinal?

Fadiga e alteração do hábito intestinal podem ser causadas por hipotireoidismo, anemia, parasitoses intestinais, síndrome do intestino irritável, efeitos colaterais de medicamentos (como antidepressivos) e outras condições sistêmicas.

Por que solicitar TSH e parasitológico de fezes na investigação inicial?

O TSH é fundamental para rastrear hipotireoidismo, uma causa comum de fadiga e constipação. O parasitológico de fezes é importante para excluir parasitoses, que podem causar diarreia crônica ou alternada, especialmente em regiões endêmicas.

Quando considerar a Síndrome do Intestino Irritável (SII) como diagnóstico?

A SII é um diagnóstico de exclusão, considerado após a investigação de causas orgânicas ter sido negativa. Caracteriza-se por dor abdominal recorrente associada a alterações do hábito intestinal (diarreia, constipação ou ambos), sem alterações estruturais.

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