UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 29 anos de idade, refere atraso menstrual há 6 semanas e sangramento genital em pequena quantidade há 1 dia. Exame físico: estável hemodinamicamente, abdome indolor e ao toque útero e anexos normais, colo impérvio. Realizou beta-hCG com valor de 750 mUI/mL e ultrassonografia transvaginal com eco endometrial de 8 mm e cisto com conteúdo anecoico em ovário direito medindo 30x20 mm com presença de halo vascular ao Doppler. Repetiu o beta-hCG em 48h com valor de 937 mUI/mL e a ultrassonografia inalterada. Qual é o diagnóstico mais provável?
Aumento do beta-hCG < 35% em 48h indica gestação inviável ou ectópica.
A avaliação da viabilidade gestacional inicial depende da correlação entre os níveis de beta-hCG e a ultrassonografia. Um incremento subótimo sugere falha na evolução da gestação.
A avaliação de sangramento no primeiro trimestre é um desafio clínico comum. A zona discriminatória do beta-hCG é o nível acima do qual um saco gestacional deve ser visível na ultrassonografia transvaginal. Atualmente, valores entre 2000 e 3500 mUI/mL são usados para evitar diagnósticos falso-positivos de ectópica. No entanto, a cinética (taxa de variação) é mais importante que um valor isolado quando os níveis estão baixos. Um aumento de apenas 25% em 48h, como no caso apresentado, confirma que a gestação não está evoluindo normalmente, independentemente da localização, sendo classificada como inviável.
Em uma gestação intrauterina viável, espera-se que os níveis de beta-hCG aumentem pelo menos 35% a 53% a cada 48 horas. Um aumento inferior a esse limiar, como observado no caso (25%), é um forte marcador de gestação inviável, que pode ser um abortamento espontâneo precoce ou uma gravidez ectópica. É fundamental correlacionar esse dado com a clínica da paciente e os achados ultrassonográficos, como a ausência de saco gestacional intrauterino acima da zona discriminatória (geralmente entre 1500-3500 mUI/mL).
A GLI ocorre quando a paciente apresenta um teste de gravidez positivo, mas a ultrassonografia transvaginal não visualiza gestação intra ou extrauterina. Nesses casos, a conduta baseia-se no seguimento seriado do beta-hCG e nova imagem. Se o beta-hCG sobe inadequadamente, cai ou se mantém em platô, a gestação é classificada como inviável. O manejo deve ser cauteloso para não interromper uma gestação desejada precocemente, a menos que haja instabilidade hemodinâmica sugerindo ruptura de ectópica.
O corpo lúteo e a gravidez ectópica podem apresentar o 'anel de fogo' (halo vascular periférico) ao Doppler. No entanto, o corpo lúteo geralmente está localizado dentro do parênquima ovariano e se move com o ovário à palpação com o transdutor. Já a massa da gravidez ectópica costuma ser extraovariana (sinal do 'tubal ring') e apresenta movimentação independente do ovário. No caso clínico, a descrição de cisto anecoico com halo vascular no ovário sugere um corpo lúteo funcional, comum no início da gestação.
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