IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Mulher 25 anos, nulípara, deu entrada no pronto-atendimento queixando-se de dor abdominal de moderada intensidade e sangramento vaginal discreto de início há 4 dias. Ao ser questionada, paciente nega comorbidades vícios ou alergias. Relata ciclos irregulares com atraso menstrual de 2 meses aproximadamente. Possui história de doença inflamatória pélvica tratada ambulatorialmente em 2021. Ao exame, BEG, PA: 110x60 mmHg. Abdome flácido, doloroso a palpação profunda em região de hipogástrio e FID. Ausência de sinais de irritação peritoneal. Ao toque colo fechado, grosso posterior, sangramento em dedo de luva. Solicitado BHCG na urgência com resultado 11.519 mUI/mL. Encaminhada ao USG-TV, que não detectou gestação tópica, visualizando apenas massa anexial de cerca de 4cm em região ampular à direita. Ausência de líquido livre em fundo de saco de Douglas. Qual é a conduta adequada, levando-se em consideração que a paciente deseja gestar novamente?
Gravidez ectópica tubária com desejo de gestar e massa < 5cm → Salpingostomia videolaparoscópica.
A salpingostomia videolaparoscópica é a conduta de escolha para gestações ectópicas tubárias em pacientes hemodinamicamente estáveis que desejam preservar a fertilidade, especialmente quando a massa é menor que 5 cm e o BHCG não é excessivamente alto. Permite a remoção do trofoblasto com preservação da tuba.
A gravidez ectópica é uma condição grave que ocorre quando o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. Sua incidência varia de 1% a 2% das gestações, e é uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como ruptura tubária e hemorragia. A fisiopatologia envolve fatores que dificultam a passagem do zigoto pela tuba, como inflamações (DIP), cirurgias prévias ou anomalias tubárias. O diagnóstico é feito pela combinação de atraso menstrual, dor abdominal, sangramento vaginal, BHCG positivo e ultrassonografia transvaginal que não visualiza gestação intrauterina e/ou detecta massa anexial. A suspeita deve ser alta em mulheres com fatores de risco e sintomas atípicos. O tratamento depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa, nível de BHCG e desejo de gestar. Opções incluem conduta expectante, tratamento medicamentoso com metotrexato ou cirurgia (salpingostomia ou salpingectomia). A salpingostomia videolaparoscópica é a escolha para pacientes estáveis que desejam preservar a fertilidade, permitindo a remoção do concepto e a manutenção da tuba, com bom prognóstico reprodutivo se bem indicada.
O tratamento conservador (medicamentoso ou salpingostomia) é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, com massa anexial < 3,5-5 cm, ausência de atividade cardíaca embrionária e BHCG < 5.000-15.000 mUI/mL, dependendo do método.
A salpingostomia é preferível quando a paciente deseja preservar a fertilidade, pois permite a remoção do trofoblasto com manutenção da tuba uterina, aumentando as chances de uma gestação futura.
Os principais fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), cirurgia tubária prévia, uso de DIU, tabagismo e técnicas de reprodução assistida.
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