Gravidez Ectópica Rota: Diagnóstico e Conduta de Emergência

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32 anos, procura atendimento com atraso menstrual de 7 semanas, sangramento vaginal e dor em hipogástrio de moderada intensidade há 4 dias. Ao exame clínico, hipocorada ++/4+, PA 90 x 54 mmHg, FC 124 bpm, FR 22 rpm. Apresenta dor à palpação profunda de abdome, com descompressão brusca presente em fossa ilíaca direita. Ao toque vaginal, colo posterior, amolecido, impérvio e doloroso à mobilização. Exames laboratoriais: hemoglobina 8,7 g/dL, hematócrito 26,1%, leucócitos 13.480 mm³, plaquetas 166 mil/mm³ e beta hCG: 3.837 mUI/mL, sem evidência de saco gestacional intrauterino ao ultrassom transvaginal. Qual o diagnóstico diante do quadro descrito?

Alternativas

Pérola Clínica

Atraso menstrual + Dor abdominal + Choque + Útero vazio (hCG > 1500) = Gravidez Ectópica Rota.

Resumo-Chave

A tríade clássica de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, associada à instabilidade hemodinâmica e ausência de saco gestacional intrauterino com hCG acima da zona discriminatória, confirma gravidez ectópica rota.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum (95%). A ruptura tubária é uma emergência médica que leva ao hemoperitônio e choque hipovolêmico. O diagnóstico baseia-se na correlação entre a clínica, os níveis séricos de beta-hCG e a ultrassonografia transvaginal. Em pacientes estáveis, o tratamento pode ser medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico conservador (salpingostomia). No entanto, a instabilidade hemodinâmica impõe a abordagem cirúrgica radical imediata para salvar a vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a zona discriminatória do beta-hCG na ultrassonografia?

A zona discriminatória refere-se ao nível de beta-hCG acima do qual um saco gestacional intrauterino deve ser visível pela ultrassonografia transvaginal, geralmente entre 1.500 e 3.500 mUI/mL. Se o hCG estiver acima desse valor e o útero estiver vazio, a suspeita de gravidez ectópica torna-se extremamente alta, exigindo investigação imediata ou intervenção, dependendo da estabilidade clínica da paciente.

Como manejar a gravidez ectópica rota instável?

Pacientes com sinais de ruptura tubária e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez) devem ser submetidas à estabilização volêmica imediata e encaminhadas para cirurgia de urgência, preferencialmente laparotomia, para controle do sangramento (salpingectomia). Nestes casos, o diagnóstico é clínico-cirúrgico e não se deve retardar o tratamento aguardando exames de imagem complexos.

Quais os principais fatores de risco para gravidez ectópica?

Os principais fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, cirurgia tubária anterior, doença inflamatória pélvica (DIP), uso de dispositivo intrauterino (DIU), tabagismo e técnicas de reprodução assistida. A identificação desses fatores ajuda na triagem de pacientes que apresentam dor pélvica ou sangramento no primeiro trimestre da gestação.

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