UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Paciente de 28 anos de idade, G3 P2 A0 (dois filhos vivos), chega ao pronto atendimento com atraso menstrual de 7 semanas, dor abdominal e exame de β-hCG com valor de 12.000 mUI/mL. Foi realizada ultrassonografia transvaginal que evidenciou massa anexial em tuba uterina direita de 6 cm de diâmetro com embrião sem batimentos cardíacos. A melhor conduta para o caso é:
Gravidez ectópica com massa > 5 cm, β-hCG > 5000, ou embrião com BCF ausente → tratamento cirúrgico (salpingectomia).
A presença de uma massa anexial de 6 cm e um β-hCG de 12.000 mUI/mL, mesmo sem batimentos cardíacos, indica uma gravidez ectópica avançada, com alto risco de ruptura. Nesses casos, o tratamento cirúrgico, preferencialmente a salpingectomia, é a conduta mais segura e eficaz, pois o metotrexato tem menor taxa de sucesso e maior risco de complicações.
A gravidez ectópica é uma condição grave que ocorre quando o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gestação. O diagnóstico precoce e a conduta adequada são cruciais para preservar a vida da paciente e, quando possível, sua fertilidade futura. A avaliação de uma gravidez ectópica envolve a dosagem seriada de β-hCG e ultrassonografia transvaginal. A conduta pode ser expectante, clínica (com metotrexato) ou cirúrgica. A escolha depende de diversos fatores, como estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa anexial, níveis de β-hCG, presença de batimentos cardíacos embrionários e desejo de fertilidade. No caso apresentado, com massa anexial de 6 cm e β-hCG de 12.000 mUI/mL, a gravidez ectópica é considerada de alto risco para ruptura. Nessas situações, o tratamento cirúrgico é a opção mais segura e eficaz. A salpingectomia (remoção da tuba uterina) é geralmente preferível à salpingostomia (remoção do produto da concepção com preservação da tuba) em casos de tubas muito danificadas, risco de ruptura iminente ou quando a paciente não deseja mais gestar, pois a salpingostomia apresenta maior risco de gravidez ectópica persistente. O metotrexato seria contraindicado devido ao tamanho da massa e ao alto β-hCG.
O tratamento clínico com metotrexato é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, com massa anexial < 3,5-4 cm, ausência de atividade cardíaca embrionária e β-hCG < 5.000 mUI/mL, sem evidência de ruptura.
A salpingectomia (remoção da tuba) é preferível quando a tuba está muito danificada, há sangramento ativo, ou em pacientes que não desejam mais gestar. A salpingostomia (remoção do produto e preservação da tuba) é considerada para pacientes com desejo de fertilidade futura e tuba contralateral comprometida, mas tem maior risco de ectópica persistente.
Os sinais de ruptura incluem dor abdominal súbita e intensa, hipotensão, taquicardia, tontura, síncope e sinais de irritação peritoneal. É uma emergência cirúrgica que exige intervenção imediata.
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