INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma mulher, com 25 anos de idade e seis semanas de atraso menstrual, compareceu ao Pronto Atendimento com queixa de dor em abdome inferior há quatro horas. A dor se irradia para o ombro esquerdo, acompanhada de sangramento vaginal de leve intensidade, há dois dias. A paciente fez teste de gravidez em urina, que revelou resultado positivo. Ao exame físico apresentou estado geral regular, mucosas hipocoradas ++/4+, pulso = 110 bpm, pressão arterial = 80 x 60 mmHg, abdome distendido e doloroso. O exame especular revelou sangramento em pequena quantidade pelo colo uterino. Ao toque vaginal apresentou útero aumentado em duas vezes o seu volume, globoso, com amolecimento do colo uterino, fundo de saco doloroso e abaulado. A conduta indicada é:
Ectópica rota + Instabilidade hemodinâmica → Laparotomia imediata.
Em casos de abdome agudo hemorrágico com choque (hipotensão e taquicardia), a estabilização e a laparotomia imediata são mandatórias para controle do sangramento.
A gravidez ectópica é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre. O diagnóstico baseia-se na tríade: dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal. Diante de sinais de irritação peritoneal (fundo de saco abaulado e doloroso) e choque, o tratamento é cirúrgico radical (salpingectomia) via laparotomia. A reposição volêmica deve ser iniciada imediatamente, mas não deve retardar a transferência para o centro cirúrgico.
O sinal de Kehr é a dor referida no ombro devido à irritação do nervo frênico pelo hemoperitônio (sangue no abdome) em contato com o diafragma. Em uma paciente com atraso menstrual e dor abdominal, este é um sinal clássico de ruptura de gravidez ectópica e hemorragia intraperitoneal volumosa.
Embora a laparoscopia seja o padrão-ouro para pacientes estáveis, a laparotomia é indicada na instabilidade hemodinâmica (PA 80x60 mmHg, pulso 110 bpm). A laparotomia permite um acesso mais rápido para controle do sangramento maciço e evita o aumento da pressão intra-abdominal pelo pneumoperitônio, que poderia piorar o retorno venoso em uma paciente já chocada.
Neste caso específico, o diagnóstico clínico de abdome agudo hemorrágico é soberano. O teste de urina positivo já confirma a gestação. Aguardar um beta-hCG sérico quantitativo atrasaria o tratamento definitivo de uma condição com alto risco de morte materna por choque hipovolêmico.
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