Gravidez Ectópica Rota: Diagnóstico Rápido com USG à Beira Leito

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 19 anos, tabagista, refere dor abdominal em baixo ventre, hà 2 dias, associada a nauseas e intolerância alimentar. Relata que hoje a dor está mais intensa e que se localizou no lado direito do abdome. Mantém náuseas e vômitos, não conseguindo se alimentar. Refere ainda atraso menstrual de aproximadamente 60 dias, mas que tem ciclos menstruais irregulares desde a menarca. Tem vida sexual ativa, com parceiro fixo e faz uso irregular de anticoncepcional oral e preservativo. Relata ainda ser constipada (ritmo intestinal a cada 2 dias, com fezes endurecidas). Ao exame físico, apresenta-se em REG, descorada (3+/4+), FC = 142bpm, PA = 60 X 40 mmHg. O abdome é plano, doloroso a palpação difusa, mais importante na fossa ilíaca direita, com descompressão brusca positiva. Assinale a alternativa que indique o exame complementar á propedêutica capaz de definir o tratamento mais eficaz e rápido para o tipo de abdome agudo apresentado pela paciente:

Alternativas

  1. A) RX de abdome agudo
  2. B) RX simples de abdome
  3. C) Ultrassonografia do abdome a beira leito
  4. D) Tomografia computadorizada do abdome

Pérola Clínica

Mulher jovem, atraso menstrual, dor abdominal intensa + choque hipovolêmico → Gravidez ectópica rota. USG beira leito = diagnóstico rápido e conduta.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal intensa, atraso menstrual, instabilidade hemodinâmica (choque hipovolêmico) e sinais de irritação peritoneal em mulher em idade fértil é altamente sugestivo de gravidez ectópica rota. A ultrassonografia à beira do leito é o exame mais rápido e eficaz para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta imediata.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica rota é uma emergência ginecológica que representa uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre da gestação. Caracteriza-se pela implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas, e sua subsequente ruptura, levando a hemorragia interna maciça. A paciente típica é uma mulher em idade fértil com atraso menstrual, dor abdominal aguda e sinais de choque hipovolêmico. Fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica, cirurgias tubárias prévias, tabagismo e uso irregular de contraceptivos. A fisiopatologia envolve a ruptura da tuba uterina ou de outro local de implantação ectópica, resultando em hemoperitônio. O quadro clínico é de abdome agudo hemorrágico, com dor intensa, irritação peritoneal (descompressão brusca positiva), palidez, taquicardia e hipotensão. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado rapidamente por exames complementares. Em um cenário de instabilidade hemodinâmica, a ultrassonografia à beira do leito (POCUS - Point-of-Care Ultrasound) é o exame de escolha. Ela permite a visualização de líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio) e a ausência de gestação intrauterina, confirmando a gravidez ectópica rota de forma ágil. O tratamento é cirúrgico de emergência (laparoscopia ou laparotomia) para controle do sangramento e remoção da gravidez ectópica, juntamente com a ressuscitação volêmica e transfusão sanguínea. O tempo entre o diagnóstico e a intervenção é crucial para o prognóstico da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de uma gravidez ectópica rota?

Os sinais e sintomas incluem atraso menstrual, dor abdominal intensa (geralmente unilateral e súbita), sangramento vaginal irregular, tontura, síncope e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez, sudorese) devido à hemorragia interna.

Por que a ultrassonografia à beira do leito é o exame de escolha nesse cenário?

A USG à beira do leito (POCUS) é rápida, não invasiva e pode ser realizada no próprio setor de emergência, permitindo a identificação imediata de líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio) e a ausência de gravidez intrauterina, confirmando a suspeita de gravidez ectópica rota em uma paciente instável.

Qual a conduta imediata após o diagnóstico de gravidez ectópica rota com choque?

A conduta é a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e transfusão sanguínea, seguida de laparoscopia ou laparotomia de emergência para controle do sangramento e remoção da gravidez ectópica. O tempo é crítico para salvar a vida da paciente.

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