UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Mulher de 23 anos apresenta dor em hipogástrio e fossa ilíaca direita, de moderada intensidade há 6 horas. Nega febre, disúria ou alteração do hábito intestinal. AP: um aborto e um parto vaginal, uso irregular de anticoncepcional oral e atraso menstrual. Exame físico: PA 130 x 75 mmHg, FC 92 bpm, abdome plano, depressível, doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca direita. Exames laboratoriais: hematócrito – 33%, hemoglobina – 10,9 g/dL, plaquetas – 155 mil/mm³, glóbulos brancos – 6 mil/mm³; urina tipo I – normal; teste de gravidez – positivo. Enquanto aguardava a realização da ultrassonografia, ela apresentou piora da dor abdominal com descompressão brusca dolorosa na fossa ilíaca direita. Toque vaginal: colo impérvio, doloroso à mobilização e presença de abaulamento em fundo de saco lateral direito. Nesse momento, o diagnóstico provável e a conduta são:
Atraso menstrual + teste gravidez positivo + dor abdominal aguda + sinais de irritação peritoneal/abaulamento fundo de saco → Gravidez ectópica rota.
A paciente apresenta dor abdominal aguda, atraso menstrual e teste de gravidez positivo, com sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca dolorosa) e abaulamento em fundo de saco, indicando hemoperitônio. A piora súbita da dor e os achados ao toque vaginal são altamente sugestivos de gravidez ectópica rota, uma emergência cirúrgica que requer intervenção imediata, como a videolaparoscopia.
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre da gestação e uma emergência ginecológica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A ruptura de uma gravidez ectópica leva a hemorragia interna, que pode ser fatal se não tratada prontamente. O diagnóstico de gravidez ectópica rota é clínico e baseia-se na tríade clássica de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, associada a sinais de instabilidade hemodinâmica ou irritação peritoneal. O teste de gravidez positivo confirma a gestação. Exames como o ultrassom transvaginal são úteis para confirmar a localização da gestação, mas em casos de ruptura e instabilidade, a intervenção cirúrgica não deve ser postergada. A conduta imediata para uma gravidez ectópica rota é a estabilização hemodinâmica da paciente (se necessário) e a intervenção cirúrgica. A videolaparoscopia é o método preferencial, permitindo a exploração da cavidade abdominal, a identificação da gravidez ectópica e sua remoção (geralmente salpingectomia). A rapidez no diagnóstico e na intervenção é crucial para preservar a vida da paciente e, quando possível, a fertilidade futura.
Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal aguda e intensa (geralmente unilateral), atraso menstrual, sangramento vaginal irregular e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão) ou irritação peritoneal (descompressão brusca dolorosa, abaulamento em fundo de saco).
A videolaparoscopia é a conduta de escolha por ser minimamente invasiva, permitindo o diagnóstico definitivo e o tratamento cirúrgico (salpingectomia ou salpingostomia) de forma rápida, com menor tempo de recuperação e menor morbidade em comparação com a laparotomia.
Os principais fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), cirurgia tubária prévia, uso de DIU (embora raro, se ocorrer gravidez), tabagismo e técnicas de reprodução assistida.
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