UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 22 anos de idade, dá entrada no pronto atendimento com quadro de dor abdominal iniciada em FID e irradiada para toda a pelve, de leve a moderada intensidade, há cerca de 8 horas, acompanhada de tontura, mal-estar e sensação de síncope. Não sabe referir adequadamente o caráter da dor. Nega vômitos, diarreia e sintomas urinários. Refere leucorréia esbranquiçada há 3 meses, ciclo menstrual irregular, com data da última menstruação há cerca de 2 meses. Vida sexual ativa com uso irregular de preservativos ou outros métodos contraceptivos. Ao exame físico encontra-se hipocorada +++/4, FR: 25irpm, FC: 100bpm, P.A.: 90 x 60mmHg. Abdome plano, flácido, simétrico, doloroso à palpação profunda em toda a pelve, com irritação peritoneal duvidosa. Refere dor ao toque vaginal. Toque retal sem alterações. Sobre o caso acima, assinale a alternativa INCORRETA:
Dor abdominal + atraso menstrual + instabilidade hemodinâmica + Beta-HCG positivo = Gravidez ectópica rota → Cirurgia.
A paciente apresenta sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, hipocorada) e dor abdominal pélvica com atraso menstrual e vida sexual ativa. A principal suspeita é gravidez ectópica rota com hemoperitônio, que exige abordagem cirúrgica de urgência, independentemente do Beta-HCG ser negativo (embora improvável neste cenário).
A gravidez ectópica rota é uma emergência ginecológica com risco de vida que exige reconhecimento e intervenção rápidos. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal aguda, atraso menstrual e sangramento vaginal irregular, frequentemente acompanhados de sinais de choque hipovolêmico devido ao hemoperitônio. A paciente do caso apresenta instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, hipocorada), dor pélvica difusa e atraso menstrual, o que eleva a suspeita de gravidez ectópica rota. A propedêutica inicial é crucial e inclui a realização de um teste de gravidez (Beta-HCG), que, se positivo, corrobora a suspeita. O hemograma é útil para avaliar o grau de anemia e a necessidade de transfusão. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma), embora idealizado para trauma, é extremamente valioso para identificar líquido livre na cavidade abdominal, indicando sangramento. A ressuscitação volêmica com cristaloides e a preparação para transfusão de concentrado de hemácias são medidas iniciais essenciais para estabilizar a paciente. A alternativa incorreta afirma que, com Beta-HCG negativo, o tratamento seria clínico. No entanto, diante de um quadro de instabilidade hemodinâmica e forte suspeita clínica de sangramento intra-abdominal, a abordagem cirúrgica exploratória é frequentemente necessária, mesmo que o Beta-HCG seja negativo (o que seria incomum em uma ectópica rota, mas não impossível em casos raros ou testes falsos negativos). A prioridade é controlar o sangramento e salvar a vida da paciente.
Dor abdominal aguda (geralmente unilateral, mas pode ser difusa), atraso menstrual, sangramento vaginal irregular, tontura, síncope e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez).
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) pode identificar rapidamente a presença de líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio), indicando sangramento interno, o que é crucial para a decisão de laparotomia exploradora.
A conduta inicial inclui ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, avaliação da necessidade de transfusão sanguínea, estabilização hemodinâmica e preparação para intervenção cirúrgica de urgência (laparotomia ou laparoscopia).
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