INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher de 19 anos comparece a uma unidade de emergência com dor em fossa ilíaca esquerda há 3 dias, mais intensa neste dia. Nega febre e afirma ter relação sexual heterossexual, utilizando-se de condon como meio de anticoncepção, de forma irregular. Refere que a última menstruação ocorreu há 45 dias. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 90 × 50 mmHg, frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, temperatura axilar de 36,7 oC, abdome doloroso em andar inferior, principalmente em fossa ilíaca esquerda, com descompressão dolorosa. Ao exame especular, nota-se sangramento discreto pelo orifício externo do colo; toque com dor a palpação de região anexial esquerda, útero intrapélvico, colo fechado.Considerando-se o quadro descrito e os dados apresentados, o principal diagnóstico e a conduta adequada são, respectivamente
Mulher jovem, amenorreia, dor abdominal aguda + sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) + descompressão dolorosa → Gravidez ectópica rota, conduta: Beta HCG e USG transvaginal URGENTE.
O quadro de dor abdominal intensa em fossa ilíaca esquerda, amenorreia, sangramento discreto e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) com descompressão dolorosa é altamente sugestivo de gravidez ectópica rota, uma emergência ginecológica que requer diagnóstico rápido e intervenção.
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. A gravidez ectópica rota é uma emergência ginecológica grave, caracterizada pela ruptura da tuba ou de outro local de implantação, levando a hemorragia interna e, potencialmente, choque hipovolêmico. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre da gestação. O quadro clínico típico inclui amenorreia (mesmo que a paciente use anticoncepção irregular), dor abdominal aguda e intensa (frequentemente unilateral, mas pode ser difusa), sangramento vaginal irregular e sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão e taquicardia, indicando hemorragia. O exame físico pode revelar dor à palpação abdominal, descompressão dolorosa e dor à mobilização do colo uterino. Diante da suspeita de gravidez ectópica rota, a conduta imediata envolve a estabilização hemodinâmica da paciente e a confirmação diagnóstica urgente. Isso é feito através da dosagem do Beta HCG quantitativo (para confirmar a gravidez) e da realização de uma ultrassonografia transvaginal. A ultrassonografia é fundamental para localizar a gestação e identificar sinais de ruptura e sangramento intra-abdominal. Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento é cirúrgico, geralmente por laparoscopia, para remover a gestação ectópica e controlar a hemorragia.
Os sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e súbita (geralmente unilateral), amenorreia, sangramento vaginal irregular, tontura, síncope e sinais de choque hipovolêmico como hipotensão e taquicardia. A descompressão dolorosa no exame físico é um indicativo de irritação peritoneal.
O Beta HCG quantitativo é crucial para confirmar a gravidez. A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de escolha para localizar a gestação e identificar sinais de ectopia, como saco gestacional fora do útero ou líquido livre na cavidade abdominal, especialmente em casos de instabilidade hemodinâmica.
A diferenciação envolve a avaliação do Beta HCG e ultrassonografia. Torção anexial pode ter dor súbita, mas geralmente sem sangramento vaginal e com massa anexial. Cisto roto pode causar dor e líquido livre, mas sem Beta HCG positivo. Doença inflamatória pélvica cursa com febre e leucocitose, que não são proeminentes neste caso.
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