Gravidez Ectópica Rota: Manejo na Instabilidade Hemodinâmica

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024

Enunciado

P.N.B., 33 anos, primigesta, IG 8 semanas pela DUM, deu entrada no PSO com dor abdominal de início súbito, referindo sangramento vaginal em pequena quantidade há cerca de 4 dias. Nega comorbidades. Nega história de trauma. Ao exame físico: PA 90 x 60mmHg, hipocorada +/4+, FC 105 bpm, abdome: dor à descompressão brusca positiva. Especular: sangramento vermelho escuro em pequena quantidade exteriorizando pelo orifício externo do colo uterino. Toque vaginal bimanual: dor à mobilização do coloRealizado ultrassom point of care pela emergência e identificada grande quantidade de líquido livre em cavidade pélvica.Após a confirmação diagnóstica do caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Laparoscopia.
  2. B) Laparotomia exploradora.
  3. C) AMIU.
  4. D) Curetagem uterina.
  5. E) Metotrexate IM.

Pérola Clínica

Gestante + Dor abdominal súbita + Instabilidade hemodinâmica = Laparotomia imediata.

Resumo-Chave

A gravidez ectópica rota com instabilidade hemodinâmica é uma emergência cirúrgica que exige laparotomia exploradora imediata para controle do sangramento; a laparoscopia é reservada para pacientes estáveis.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre. A tríade clássica consiste em dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal. O diagnóstico é sugerido por níveis de beta-hCG acima da zona discriminatória sem evidência de saco gestacional intrauterino ao ultrassom transvaginal. No cenário de abdome agudo hemorrágico, o POCUS (Point of Care Ultrasound) é uma ferramenta valiosa para identificar líquido livre na cavidade peritoneal. Uma vez identificada a instabilidade hemodinâmica (PA 90x60 mmHg e FC 105 bpm no caso), a reposição volêmica deve ser iniciada simultaneamente à transferência para o centro cirúrgico. A laparotomia permite o acesso rápido para salpingectomia, garantindo a sobrevida da paciente através do controle direto do sítio de sangramento.

Perguntas Frequentes

Quando indicar laparotomia em vez de laparoscopia na gravidez ectópica?

A laparotomia exploradora é a via de escolha em pacientes com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia severa, choque) ou quando a laparoscopia não está disponível ou é contraindicada pelo volume do hemoperitônio. A prioridade é o controle rápido da hemorragia. A laparoscopia é o padrão-ouro para pacientes estáveis hemodinamicamente.

Quais os principais fatores de risco para gravidez ectópica?

Os principais fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, cirurgia tubária anterior, doença inflamatória pélvica (DIP), tabagismo, uso de técnicas de reprodução assistida e presença de DIU (embora o DIU previna a gravidez, se esta ocorrer, há maior chance relativa de ser ectópica).

O Metotrexato pode ser usado em casos de rotura tubária?

Não. O tratamento medicamentoso com Metotrexato é contraindicado em casos de gravidez ectópica rota, presença de atividade cardíaca embrionária, massa anexial > 3,5-4 cm, níveis de beta-hCG muito elevados (> 5.000 mUI/mL) ou instabilidade hemodinâmica. O caso clínico apresenta sinais claros de rotura e choque, exigindo cirurgia imediata.

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