SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022
C.S.S., 23 anos, GI PI 1N A0, deu entrada no PSGO com história de dor abdominal intensa de início súbito. Estava em acompanhamento com curva de beta HCG. Há 7 dias, beta HCG 1547,0, sem evidência de gestação intrauterina, ovários identificados e sem alterações, porém não identificadas massas em regiões anexiais. Solicitado novo beta HCG há 5 dias de 1297,0. Ao exame físico: FC: 108 bpm, PA 100 × 50 mmHg, hipocorada +/4+. Abdome: dor à descompressão brusca positiva; ao toque vaginal bimanual: dor à palpação de fundo de saco vaginal posterior. O que se deve encontrar na USG de urgência e qual a conduta?
Beta-HCG + Dor súbita + Instabilidade + Blumberg+ = Ectópica Rota → Laparotomia imediata.
A gravidez ectópica rota com instabilidade hemodinâmica é uma emergência cirúrgica. O achado de líquido livre (sangue) no USG confirma o hemoperitôneo, exigindo intervenção imediata.
A gravidez ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum (95%). A rotura tubária leva ao hemoperitôneo, uma causa importante de abdome agudo hemorrágico e mortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal, embora nem todos os sintomas estejam presentes. Em pacientes instáveis, a prioridade é a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva e a interrupção cirúrgica imediata do sangramento através da laparotomia exploradora, geralmente com salpingectomia da trompa afetada.
Em uma gestação intrauterina normal, o Beta-HCG costuma dobrar a cada 48 horas. Valores que sobem de forma lenta (platô) ou que apresentam queda discreta, mas sem evidência de saco gestacional intrauterino ao USG (zona discriminatória em torno de 1500-2000 mUI/mL), sugerem fortemente gravidez ectópica ou abortamento. No caso clínico, a queda lenta e a dor súbita indicam rotura tubária.
A videolaparoscopia é o padrão-ouro para pacientes estáveis hemodinamicamente, permitindo uma recuperação mais rápida. No entanto, na presença de instabilidade (hipotensão, taquicardia, sinais de choque), a laparotomia é preferível por permitir um acesso mais rápido e controle imediato da hemorragia maciça, sem o risco do pneumoperitônio agravar o estado hemodinâmico.
É caracterizado por dor abdominal súbita e intensa, sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão brusca) e sinais de hipovolemia. Ao toque vaginal, a dor à mobilização do colo uterino e o abaulamento/dor no fundo de saco de Douglas (grito de Douglas) são achados clássicos que indicam sangue livre na cavidade peritoneal.
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