Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Mulher de 26 anos dá entrada na emergência referindo dor abdominal súbita de forte intensidade há 40 minutos, acompanhada de sudorese, palidez cutaneomucosa, tontura e malestar geral. Refere atraso menstrual há cerca de 8 semanas. Sinais vitais: PA = 90x55 mmHg; FC = 132 bpm; FR = 26 mrpm. Exame físico: dor à palpação abdominal difusamente, DB +, toque vaginal com abaulamento dos fundos de saco. Sinal de Proust positivo. Solicitado ultrassom (imagem demonstrada a seguir): A conduta a ser realizada com a paciente deverá ser:
Atraso menstrual + Dor abdominal + Choque + Sinal de Proust = Gravidez Ectópica Rota.
A gravidez ectópica rota é uma emergência cirúrgica clássica. O sinal de Proust (dor ao toque vaginal) indica hemoperitônio, exigindo estabilização imediata e cirurgia.
A gravidez ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a tuba uterina o local mais comum (95%). A ruptura tubária leva ao hemoperitônio, caracterizando o abdome agudo hemorrágico. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal, embora a instabilidade hemodinâmica domine o quadro na ruptura. O manejo envolve a reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, hemoderivados, visando manter a perfusão orgânica até o controle cirúrgico do sangramento. A salpingectomia é frequentemente necessária na emergência, especialmente se houver dano tubário extenso ou instabilidade materna grave. O ultrassom é útil para confirmar a ausência de saco gestacional intrauterino e presença de líquido livre.
O sinal de Proust, também conhecido como 'grito de Douglas', é a dor intensa à palpação do fundo de saco de Douglas durante o toque vaginal. Ele é altamente sugestivo de sangue livre na cavidade peritoneal (hemoperitônio), frequentemente associado à ruptura de uma gravidez ectópica. A presença deste sinal em uma paciente com atraso menstrual e instabilidade hemodinâmica é um marcador clínico crítico para intervenção cirúrgica imediata.
Em pacientes com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) e suspeita de gravidez ectópica rota, a conduta deve ser a estabilização volêmica agressiva concomitante à indicação de cirurgia imediata (geralmente laparotomia). Não se deve retardar o tratamento definitivo para aguardar exames complementares demorados se o quadro clínico de choque e irritação peritoneal for soberano.
O Beta-HCG é fundamental para confirmar a gestação. Em casos de ectópica, os níveis podem ser menores do que o esperado para a idade gestacional e não dobrar a cada 48 horas. No entanto, em quadros de abdome agudo hemorrágico franco, a prioridade é a vida da paciente, e o teste rápido de urina ou a clínica podem guiar a decisão cirúrgica enquanto os exames laboratoriais são processados.
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