Gravidez Ectópica Rota: Diagnóstico e Manejo de Urgência

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 20 anos de idade, Gesta 2 Para 1 aborto 0, comparece à emergência do Hospital dos Plantadores de Cana relatando atraso menstrual de 4 semanas. Desde ontem, vem apresentando dor em andar inferior do abdome e sangramento vaginal discreto em ''borra de café''. Ao exame físico, apresenta-se com frequência cardíaca de 110 bpm e PA = 90 x 60 mmHg. Referia dor em fossa ilíaca esquerda de forte intensidade à palpação. Ao toque percebia-se útero discretamente aumentado de volume, e dor lancinante no fundo de saco vaginal posterior. A paciente foi admitida na maternidade. Solicitado exames laboratoriais, que revelaram: beta HCG 2.500 UI/ml; hemoglobina 10,5g/dl; leucócitos 10.500/mm³ e EAS normal. A ultrassonografia transvaginal evidenciou ausência de gestação intrauterina e massa anexial heterogênea à esquerda medindo 6,2 x 4,5 cm de diâmetro e líquido no fundo de saco de Douglas. Como deve ser conduzido esse caso.

Alternativas

  1. A) Aguardar 48 horas, repetir o beta HCG e ultrassom transvaginal;
  2. B) Iniciar metrotexato e acompanhar a queda da gonadotrofina coriônica;
  3. C) Propor tratamento cirúrgico;
  4. D) Realizar ressonância magnética pélvica para confirmar o diagnóstico etiológico;
  5. E) Propor tratamento expectante;

Pérola Clínica

Gravidez ectópica com instabilidade hemodinâmica e líquido livre na pelve → tratamento cirúrgico de urgência.

Resumo-Chave

A presença de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) em uma paciente com suspeita de gravidez ectópica, associada a sinais de irritação peritoneal (dor em fossa ilíaca, dor no fundo de saco) e líquido livre na pelve à ultrassonografia, indica ruptura e hemorragia interna. Nesses casos, a conduta é cirúrgica de urgência para controle do sangramento e remoção da gestação ectópica.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. É uma emergência ginecológica que pode ser fatal se não diagnosticada e tratada precocemente, sendo a principal causa de mortalidade materna no primeiro trimestre. A fisiopatologia envolve fatores que impedem a migração normal do zigoto para o útero, como infecções pélvicas prévias (doença inflamatória pélvica), cirurgias tubárias, endometriose e uso de DIU. Os sintomas clássicos incluem atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal. O diagnóstico é feito pela combinação de beta HCG elevado e ausência de gestação intrauterina na ultrassonografia transvaginal. Em casos de gravidez ectópica rota, a paciente pode apresentar instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), dor abdominal intensa, sinais de irritação peritoneal e líquido livre na pelve, indicando hemorragia interna. Nessas situações, a conduta é cirúrgica de urgência (laparoscopia ou laparotomia) para controlar o sangramento e remover a gestação ectópica, visando preservar a vida da paciente. O tratamento clínico com metotrexato é reservado para casos selecionados, hemodinamicamente estáveis e sem sinais de ruptura.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de uma gravidez ectópica rota?

Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal irregular, instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), dor à palpação abdominal e dor lancinante ao toque vaginal, especialmente no fundo de saco de Douglas.

Qual o papel do beta HCG e da ultrassonografia transvaginal no diagnóstico da gravidez ectópica?

O beta HCG elevado sem evidência de gestação intrauterina na ultrassonografia transvaginal é altamente sugestivo de gravidez ectópica. A USG pode revelar massa anexial e líquido livre na pelve, confirmando a suspeita de ruptura.

Quando o tratamento cirúrgico é a conduta preferencial para gravidez ectópica?

O tratamento cirúrgico é preferencial e de urgência em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura (líquido livre na pelve, massa anexial grande), ou falha do tratamento clínico com metotrexato, visando controlar a hemorragia.

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