SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Mulher, 20 anos, previamente hígida, sexualmente ativa, procura a emergência com dor forte em baixo ventre iniciada há uma hora e vômitos. Refere ter tido sangramento vaginal intermitente há dois dias. É usuária de DIU de cobre há um ano e tabagista. Não sabe a data da última menstruação. Ao exame, regular estado geral, sudorética, PA – 70x40 mmHg, FC – 128 bpm, temperatura axilar de 36,5°C. Apresenta dor à palpação em baixo ventre com descompressão brusca positiva em fossa ilíaca direita. Realizada ultrassonografia transvaginal, que evidenciou útero com DIU normoposicionado, massa heterogênea de 4,0 cm em topografia de anexo direito e presença de grande quantidade de líquido livre. Qual é a conduta imediata indicada?
Instabilidade hemodinâmica + suspeita de ectópica rota = Laparotomia imediata.
Em pacientes com choque hemorrágico e evidência de sangramento intra-abdominal (líquido livre e massa anexal), a estabilização deve ocorrer simultaneamente à cirurgia definitiva (laparotomia), sem atrasos para exames laboratoriais.
A gravidez ectópica é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre de gestação. A ruptura da trompa leva ao hemoperitônio, manifestando-se como dor abdominal súbita, sinais de irritação peritoneal e choque hipovolêmico. O diagnóstico é corroborado pela ultrassonografia que demonstra útero vazio, massa anexal e líquido livre na cavidade (sinal de Morrison positivo ou líquido em fundo de saco). O manejo imediato exige a ativação do protocolo de transfusão maciça e ressuscitação volêmica agressiva, mas o tratamento definitivo é cirúrgico. Em pacientes estáveis, a videolaparoscopia é preferível, mas na instabilidade, a laparotomia exploradora é mandatória para a rápida hemostasia.
A laparotomia é a via de escolha em pacientes com instabilidade hemodinâmica grave (choque). Ela permite um acesso mais rápido à cavidade abdominal, melhor visualização em vigência de sangramento massivo e controle mais ágil da hemorragia, enquanto a laparoscopia exige o pneumoperitônio, que pode agravar o estado hemodinâmico pela pressão intrabdominal.
O DIU é um método altamente eficaz que reduz o risco global de qualquer gravidez. No entanto, se ocorrer uma falha do método e a paciente engravidar, a probabilidade estatística de que essa gestação seja ectópica é maior do que na população geral, pois o DIU previne mais efetivamente a implantação tópica (uterina).
No cenário de instabilidade hemodinâmica (PA 70/40 mmHg) e forte suspeita clínica/ultrassonográfica de abdome agudo hemorrágico, o β-hCG não deve retardar a conduta cirúrgica. O diagnóstico é clínico e a prioridade é salvar a vida da paciente através do controle do sangramento.
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