Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Uma senhora melanodérmica, com idade de 25 anos, recém-formada em Medicina, sem doença conhecida ou uso de medicação, durante um plantão na urgência, queixou-se de forte dor no hipogástrio e, em seguida, teve lipotimia. Atendida imediatamente, verificou-se a presença de mucosas hipocoradas, distensão abdominal e pressão arterial de 95x45 mmHg. O exame ultrassonográfico mostrou grande volume líquido intra-abdominal, diagnosticado como sangue e confirmado por punção. Dentre as alternativas seguintes, a partir desses dados, qual é a causa MAIS provável desse abdome agudo hemorrágico?
Mulher em idade fértil + Dor abdominal súbita + Choque + Hemoperitônio = Gravidez Ectópica Rota.
A gravidez ectópica rota é a principal causa de abdome agudo hemorrágico em mulheres em idade fértil, exigindo diagnóstico rápido e intervenção cirúrgica imediata.
O abdome agudo hemorrágico caracteriza-se pelo extravasamento de sangue para a cavidade peritoneal, levando à irritação do peritônio e potencial choque hipovolêmico. Em mulheres jovens e sexualmente ativas, a ruptura de uma gestação tubária é a etiologia mais prevalente e grave. A fisiopatologia envolve a erosão dos vasos sanguíneos da tuba uterina pelo trofoblasto, culminando em ruptura e hemoperitônio maciço. O quadro clínico de dor súbita seguida de síncope (lipotimia) e sinais de choque (hipotensão, mucosas hipocoradas) é altamente sugestivo. O manejo exige alta suspeição clínica, pois o atraso no tratamento cirúrgico está associado a alta morbimortalidade materna.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa (geralmente em baixo ventre), sinais de irritação peritoneal (defesa abdominal), instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez cutânea) e, por vezes, dor referida no ombro (sinal de Laffon) devido à irritação do nervo frênico pelo sangue intraperitoneal. O exame físico pode revelar abaulamento e dor à palpação do fundo de saco vaginal (grito de Douglas).
O diagnóstico baseia-se na história clínica e exame físico sugestivos de choque e peritonismo, corroborados por exames de imagem. A ultrassonografia (transvaginal ou FAST) é fundamental para identificar líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio). Em mulheres em idade fértil, o teste de gravidez (Beta-hCG) é obrigatório. A confirmação de sangue na cavidade pode ser feita por culdocentese ou punção abdominal.
Na paciente hemodinamicamente instável (choque), a conduta é a laparotomia exploradora imediata para controle do sangramento (salpingectomia) concomitante à ressuscitação volêmica agressiva. Em pacientes estáveis com diagnóstico precoce de gravidez ectópica íntegra, pode-se considerar o tratamento medicamentoso com metotrexato ou cirurgia conservadora (salpingostomia laparoscópica), dependendo dos níveis de Beta-hCG e tamanho da massa.
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