HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2022
Paciente J.M.S. mulher 27 anos admitida no Pronto Socorro com quadro de abdômen agudo. Início da dor há cerca de 8 horas em andar inferior do abdômen principalmente a direita. Nega vômitos, mas está um pouco nauseada. Relata também leve corrimento claro vaginal, há uns dias. Na história pregressa, faz uso de anticoncepcional de forma irregular e está casada há dois anos.No exame físico está com sudorese leve, corada no limiar, eupneica e tax. de 37,4Cº, PA: 100X50mmHg e FC: 108bpm, abdômen está um pouco distendido com dor em andar inferior e Blumberg positivo a direita. Sinal de Chandelier negativo. Foi ao banheiro para colher o exame de urina solicitado e apresentou uma síncope quando se levantou. Exame laboratorial mostrou leucocitose de 12.500 leucócitos ainda sem resultado do diferencial e HB de 11,2gr/dl com HT de 31. PCR está aumentado. Ultrassom mostrou líquido na cavidade. Considerando o caso descrito é CORRETO afirmar que o diagnóstico mais provável e a conduta para essa paciente deve ser:
Mulher jovem, dor abdominal inferior, síncope, hipotensão, taquicardia, Blumberg +, líquido livre USG, uso irregular ACO → Gravidez ectópica rota = Cirurgia.
O quadro clínico de dor abdominal aguda em andar inferior, associado a sinais de instabilidade hemodinâmica (síncope, hipotensão, taquicardia), irritação peritoneal (Blumberg positivo) e líquido livre na cavidade abdominal ao ultrassom em mulher em idade fértil com uso irregular de anticoncepcional, é altamente sugestivo de gravidez ectópica rota. Esta é uma emergência cirúrgica que exige intervenção imediata.
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gestação e uma emergência ginecológica. A incidência é de aproximadamente 1-2% de todas as gestações, e o diagnóstico precoce é vital para evitar complicações graves, como a ruptura tubária. A fisiopatologia da gravidez ectópica rota envolve o crescimento do embrião fora do útero, levando à distensão e eventual ruptura da estrutura onde está implantado, resultando em hemorragia intra-abdominal. O quadro clínico típico inclui dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal irregular, e sinais de choque hipovolêmico (síncope, hipotensão, taquicardia) devido à perda sanguínea. A história de uso irregular de anticoncepcional aumenta a suspeita de gravidez. O diagnóstico é baseado na tríade clássica de dor abdominal, amenorreia e sangramento vaginal, associada a um teste de gravidez positivo. Em casos de ruptura, a instabilidade hemodinâmica e a presença de líquido livre na cavidade abdominal ao ultrassom confirmam a emergência. A conduta para gravidez ectópica rota é cirúrgica imediata, geralmente por laparoscopia ou laparotomia, para controlar a hemorragia e remover a gravidez ectópica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção.
Os fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), cirurgia tubária prévia, endometriose, uso de DIU (embora raro, se ocorrer gravidez com DIU, a chance de ser ectópica é maior) e técnicas de reprodução assistida.
Na gravidez ectópica, os níveis de beta-hCG geralmente são mais baixos do que o esperado para a idade gestacional e não dobram a cada 48-72 horas como em uma gravidez intrauterina viável. No entanto, em casos de ruptura, o valor absoluto pode não ser o mais relevante, mas sim a presença de gravidez com sinais de hemorragia.
Os diferenciais incluem apendicite aguda, doença inflamatória pélvica (DIP), cisto ovariano roto ou torcido, endometriose, infecção do trato urinário (ITU), litíase renal e, claro, gravidez ectópica. A história clínica, exame físico e exames complementares são cruciais para a diferenciação.
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