UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Uma paciente de 35 anos, com história de ligadura tubária, apresenta-se com dor pélvica e abdominal com irradiação para o ombro, de início súbito, sangramento vaginal e sem febre. A ultrassonografia transvaginal mostra uma massa anexial com 8 cm e presença de líquido livre na pelve e no fundo de saco de Douglas. Qual é a principal suspeita clínica e a conduta mais adequada?
Dor pélvica súbita + sangramento + massa anexial + líquido livre + dor ombro → Gravidez ectópica rota = Cirurgia imediata.
A tríade de dor pélvica, sangramento vaginal e massa anexial, especialmente com dor irradiada para o ombro (sinal de irritação diafragmática por hemoperitônio) e líquido livre na pelve, é altamente sugestiva de gravidez ectópica rota, uma emergência cirúrgica que exige intervenção imediata.
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. A gravidez ectópica rota é uma emergência ginecológica que pode levar a hemorragia interna grave e risco de vida. A incidência de gravidez ectópica é de aproximadamente 1-2% das gestações, e fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica prévia, cirurgia tubária, uso de DIU e, paradoxalmente, falha de ligadura tubária. O quadro clínico clássico de gravidez ectópica rota inclui dor pélvica aguda e súbita, sangramento vaginal irregular e, em casos de ruptura e hemoperitônio, dor irradiada para o ombro devido à irritação diafragmática. Ao exame físico, pode-se encontrar dor à palpação abdominal e massa anexial. A ultrassonografia transvaginal é crucial para o diagnóstico, revelando massa anexial complexa e líquido livre na pelve, indicativo de sangramento. A dosagem de beta-hCG confirma a gravidez. Diante da suspeita de gravidez ectópica rota, a conduta é uma emergência cirúrgica. A laparoscopia é o tratamento de escolha, permitindo a remoção da gravidez ectópica e o controle do sangramento. Em casos de instabilidade hemodinâmica ou grande volume de hemoperitônio, a laparotomia pode ser necessária. O tratamento imediato é vital para preservar a vida da paciente e, quando possível, a fertilidade futura.
A dor referida no ombro ocorre devido à irritação do diafragma pelo sangue livre no peritônio (hemoperitônio), que estimula o nervo frênico, cujas fibras sensitivas se originam dos mesmos segmentos medulares que inervam o ombro.
Não, a ligadura tubária reduz drasticamente o risco de gravidez, mas não o elimina completamente. Pode ocorrer gravidez ectópica, inclusive na tuba ligada ou em outras localizações, sendo um risco a ser considerado.
Além da ultrassonografia transvaginal, a dosagem sérica de beta-hCG é fundamental. Níveis elevados de beta-hCG na ausência de gravidez intrauterina confirmada por USG reforçam a suspeita de ectópica.
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