Gravidez Ectópica Rota: Diagnóstico e Conduta na Emergência

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 37 anos de idade vem à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com queixa de malestar, sensação de desmaio e cansaço há duas horas, após dor súbita em fossa ilíaca direita. Ao exame físico, apresentava-se afebril, descorada 3+/4+, taquicárdica (118 bpm/min), com abdome flácido e discretamente doloroso à palpação, de forma difusa. Em relação ao quadro clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A hipótese diagnóstica mais provável é apendicite, em razão da dor em fossa ilíaca direita, sendo que há grande probabilidade de ter havido supuração do apêndice pelo fato da paciente estar taquicárdica.
  2. B) Uma hipótese diagnóstica que deve ser investigada obrigatoriamente é gestação ectópica, pelo fato de a paciente encontrar-se em idade reprodutiva. É importante investigar se há atraso menstrual e realizar o teste rápido de gravidez para definir ou descartar essa hipótese, uma vez que é causa de abdome agudo hemorrágico, que pode evoluir para óbito.
  3. C) Se a paciente relatar que não há atraso menstrual, a hipótese diagnóstica de prenhez ectópica pode ser descartada com segurança.
  4. D) Caso a paciente não apresente oligúria e hipotensão, descarta-se a hipótese de hipovolemia e abdome agudo hemorrágico. Dessa forma, a hipótese de abdome agudo isquêmico é a mais provável.

Pérola Clínica

Mulher em idade fértil + dor abdominal súbita + choque → excluir Gravidez Ectópica Rota.

Resumo-Chave

A instabilidade hemodinâmica (taquicardia e palidez) em mulheres em idade fértil com dor abdominal aguda exige a exclusão imediata de gestação ectópica, independente do relato de atraso menstrual.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a tuba uterina o local mais comum (95%). A ruptura tubária leva ao abdome agudo hemorrágico, caracterizado por dor súbita e sinais de hipovolemia. O diagnóstico diferencial com apendicite aguda é fundamental, especialmente quando a dor se localiza na fossa ilíaca direita. A abordagem terapêutica depende da estabilidade do paciente, variando de conduta expectante ou medicamentosa (metotrexato) em casos íntegros e estáveis, até intervenção cirúrgica de emergência em casos rotos com instabilidade.

Perguntas Frequentes

Qual o primeiro passo na suspeita de gravidez ectópica rota?

O primeiro passo é a estabilização hemodinâmica imediata com reposição volêmica agressiva, seguida pela confirmação diagnóstica rápida através do teste de gravidez (Beta-HCG) e ultrassonografia transvaginal (USTV). Em pacientes com choque franco e sinais de irritação peritoneal, a laparotomia exploradora ou laparoscopia de urgência pode ser necessária antes mesmo de exames de imagem complexos, visando o controle do sangramento (geralmente salpingectomia).

A ausência de atraso menstrual exclui o diagnóstico?

Não. Muitas pacientes com gravidez ectópica apresentam sangramento vaginal irregular que pode ser confundido com uma menstruação normal. Portanto, em qualquer mulher em idade fértil com dor abdominal aguda, o teste de gravidez é obrigatório, independentemente da história menstrual relatada, para evitar atrasos diagnósticos fatais.

Quais os principais achados ultrassonográficos?

Os achados incluem útero vazio (ausência de saco gestacional intrauterino), presença de massa anexial complexa e, crucialmente, líquido livre na cavidade peritoneal (hemoperitônio), que pode se estender para o espaço de Morrison em casos de grande volume.

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