Gravidez Ectópica Rota: Manejo de Urgência

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 30 anos, nuligesta, comparece ao setor de emergência do hospital com quadro de atraso menstrual de dois meses, dor abdominal difusa, tontura e sangramento vaginal discreto. Ao exame, nota-se palidez cutâneo-mucosa, sudorese, PA: 90 x 50 mmHg, FC: 140bpm, abdome doloroso à descompressão brusca, principalmente em fossa ilíaca direita. Toque vaginal com abaulamento e dor em fundo de saco posterior. Realizou ultrassonografia pélvica transvaginal não visualiza imagem de saco gestacional intrauterino e vê imagem anexial sugestiva de prenhez ectópica íntegra < 4 cm. Dosagem de ß-hCG = 2.500 UI/L. Hemogobina=7,0mg/dL e Hematócrito= 25%. Assinale a assertiva correta quanto à conduta mais adequada deste caso.

Alternativas

  1. A) Laparoscopia ginecológica de urgência.
  2. B) Metotrexate 50 mg / m2 intramuscular dose única.
  3. C) Dosagens seriadas de ß-hCG sérico quantitativo e manter paciente internada.
  4. D) Metotrexate 1,0mg/Kg intramuscular (dia 1) + Ácido folínico 0,1mg/Kg via oral (dia 2).

Pérola Clínica

Gravidez ectópica + instabilidade hemodinâmica → Laparoscopia de urgência.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal, tontura, sangramento vaginal, palidez, hipotensão e taquicardia, associado a um abdome agudo e hemoglobina baixa, é altamente sugestivo de gravidez ectópica rota com choque hipovolêmico. Nesses casos, a conduta é cirúrgica de urgência, preferencialmente por laparoscopia, para controle do sangramento e remoção da gestação.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre de gestação. A ruptura de uma gravidez ectópica é uma emergência ginecológica que pode levar rapidamente ao choque hipovolêmico e óbito se não for prontamente diagnosticada e tratada. O reconhecimento precoce dos sinais de instabilidade hemodinâmica é crucial para a sobrevida da paciente. O quadro clínico típico de uma gravidez ectópica rota inclui dor abdominal aguda, sangramento vaginal e sinais de choque (hipotensão, taquicardia, palidez, sudorese). A ultrassonografia transvaginal pode não visualizar o saco gestacional intrauterino e mostrar uma massa anexial ou líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio). A dosagem de ß-hCG e a hemoglobina/hematócrito auxiliam na avaliação da gravidade. Em casos de instabilidade hemodinâmica, a conduta é cirúrgica de urgência. A laparoscopia é a via preferencial, se disponível e o cirurgião for experiente, pois permite menor tempo de recuperação e menor morbidade. No entanto, em pacientes extremamente instáveis ou com grande hemoperitônio, a laparotomia pode ser necessária. O objetivo é controlar o sangramento e remover a gestação ectópica, geralmente por salpingectomia. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente esses casos e iniciar o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma gravidez ectópica rota?

Os sinais e sintomas de uma gravidez ectópica rota incluem dor abdominal intensa e súbita (geralmente unilateral), sangramento vaginal irregular, tontura, síncope, palidez, sudorese, hipotensão, taquicardia e sinais de abdome agudo (dor à descompressão brusca, defesa). O toque vaginal pode revelar dor e abaulamento em fundo de saco.

Quando a laparoscopia de urgência é indicada para gravidez ectópica?

A laparoscopia de urgência é indicada para gravidez ectópica em pacientes com instabilidade hemodinâmica (choque hipovolêmico), sinais de ruptura tubária ou hemoperitônio significativo. Nesses casos, a intervenção cirúrgica imediata é crucial para controlar o sangramento e estabilizar a paciente.

Quais são as contraindicações para o tratamento clínico da gravidez ectópica com Metotrexato?

As contraindicações absolutas para o tratamento com Metotrexato incluem instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura ectópica, gravidez ectópica com saco gestacional > 3,5-4 cm, atividade cardíaca fetal, distúrbios hematológicos, hepáticos ou renais, amamentação e recusa da paciente em seguir o acompanhamento.

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