UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Secundigesta de 24 anos, com 8 semanas (DUM), procura a maternidade, pois apresenta dor em baixo-ventre e discreto sangramento vaginal. Ao exame físico: PA 120 x 75 mmHg, FC 89 bpm, abdome plano, depressível, discretamente doloroso à palpação profunda. Ao exame especular: discreta quantidade de sangue coletado em fundo de saco. Ultrassom transvaginal: aumento do útero (vol. 110 cm3 ) e do eco endometrial, presença de imagem heterogênea em topografia de anexo esquerdo (1,2 x 0,9 x 0,7 cm), ausência de líquido livre em cavidade abdominal. β-hCG quantitativo 1086 mUI. A hipótese diagnóstica e a conduta são, respectivamente, gravidez
Suspeita de ectópica íntegra (β-hCG < zona discriminatória, massa anexial, útero vazio) → repetir β-hCG em 48h.
Diante de dor abdominal e sangramento na gravidez precoce, com β-hCG abaixo da zona discriminatória e útero vazio ao ultrassom, a suspeita de gravidez ectópica é alta. A ausência de líquido livre sugere que a gravidez está íntegra, e a conduta inicial é monitorar a evolução do β-hCG.
A gravidez ectópica é uma condição potencialmente fatal, caracterizada pela implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves, como a ruptura tubária e hemorragia interna, que podem levar a choque hipovolêmico. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de amenorreia, dor abdominal e sangramento vaginal, embora nem sempre completa. A ultrassonografia transvaginal, combinada com a dosagem seriada do β-hCG quantitativo, são os pilares diagnósticos. A presença de uma massa anexial, útero vazio com β-hCG acima da zona discriminatória, ou um padrão de elevação atípico do β-hCG são indicativos de gravidez ectópica. A ausência de líquido livre na cavidade abdominal sugere uma gravidez ectópica íntegra. A conduta para a gravidez ectópica íntegra pode ser expectante, medicamentosa (com metotrexato) ou cirúrgica (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, dos níveis de β-hCG, do tamanho da massa anexial e do desejo de gestações futuras. O monitoramento rigoroso do β-hCG a cada 48 horas é fundamental para acompanhar a evolução e decidir a melhor abordagem terapêutica.
Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal ou pélvica, sangramento vaginal anormal, amenorreia e, em casos de ruptura, sinais de choque como tontura e síncope.
O β-hCG quantitativo é crucial. Em uma gravidez intrauterina viável, o β-hCG dobra a cada 48-72 horas. Em uma ectópica, o aumento é mais lento ou os níveis podem cair, e o valor absoluto em relação à zona discriminatória do ultrassom é importante.
A zona discriminatória é o nível de β-hCG (geralmente 1500-2000 mUI/mL para USG transvaginal) acima do qual um saco gestacional intrauterino deve ser visível. Se o β-hCG estiver acima desse valor e o útero estiver vazio, a suspeita de gravidez ectópica é muito alta.
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