Gravidez Ectópica: Conduta Expectante e BHCG

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024

Enunciado

Primigesta,22 anos, chega à consulta na UBS, referindo atraso menstrual de 06 semanas pela data da sua última menstruação. Realizou um teste de farmácia com resultado positivo. Assintomática.Foi orientada a realizar um BHCG quantitativo para confirmação do diagnóstico de gravidez.Retornou a UBS 05 dias após a primeira consulta, com 2 exames cujo resultados foram: 1600mlU/ml e com 48h após o primeiro, cujo resultado foi de 860mlU/ml.Ultrassonografia transvaginal: Útero em AVF, volume de 57 cm³, espessamento endometrial, sem sinais de gravidez intrauterina, corpo lúteo em ovário D, fundo de saco posterior livre. Qual a conduta diante do quadro?

Alternativas

  1. A) Laparotomia exploradora.
  2. B) Vídeo laparoscopia.
  3. C) Conduta expectante, paciente assintomática e BHCG abaixo de 2000mlU/ml.
  4. D) Biópsia de endométrio.

Pérola Clínica

Queda de BHCG + USG sem gestação intrauterina + paciente assintomática → Gravidez ectópica em regressão ou abortamento. Conduta: expectante se BHCG baixo e estável.

Resumo-Chave

A queda do BHCG quantitativo em 48h, associada à ausência de gestação intrauterina na USG e paciente assintomática, sugere uma gravidez ectópica em resolução espontânea ou abortamento. Nesses casos, a conduta expectante é apropriada, com monitoramento rigoroso.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição em que o embrião se implanta fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. É uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre da gestação, exigindo diagnóstico precoce e manejo adequado. A suspeita surge em mulheres com atraso menstrual, teste de gravidez positivo e dor abdominal ou sangramento vaginal, embora muitas possam ser assintomáticas inicialmente. O diagnóstico baseia-se na combinação de dosagens seriadas de BHCG quantitativo e ultrassonografia transvaginal. Em uma gravidez intrauterina viável, o BHCG dobra a cada 48-72 horas. Uma elevação mais lenta, um platô ou uma queda do BHCG, como no caso apresentado, são fortes indicativos de uma gravidez não viável, seja um abortamento espontâneo ou uma gravidez ectópica. A ultrassonografia transvaginal é crucial para visualizar a gestação intrauterina quando o BHCG atinge a 'zona de discriminação' (geralmente entre 1500-2000 mIU/ml). A ausência de saco gestacional intrauterino acima desse limiar, associada a um BHCG anormal, reforça a suspeita de gravidez ectópica ou gravidez de localização indeterminada. A conduta para a gravidez ectópica varia de acordo com a estabilidade hemodinâmica da paciente, o nível e a variação do BHCG, o tamanho da massa ectópica e a presença de sintomas. Para pacientes assintomáticas, hemodinamicamente estáveis, com BHCG em queda e níveis baixos (geralmente < 2000-5000 mIU/ml), a conduta expectante é uma opção segura e eficaz, pois muitos casos de gravidez ectópica se resolvem espontaneamente. O monitoramento rigoroso com BHCG seriado e ultrassonografias é fundamental para garantir a regressão e intervir se houver sinais de complicação. Outras opções incluem tratamento medicamentoso com metotrexato ou cirurgia (laparoscopia ou laparotomia) para casos de instabilidade, ruptura ou falha da conduta conservadora.

Perguntas Frequentes

Como a variação do BHCG quantitativo auxilia no diagnóstico de gravidez ectópica?

Em uma gravidez intrauterina viável, o BHCG geralmente dobra a cada 48-72 horas. Uma elevação mais lenta, um platô ou uma queda do BHCG são indicativos de gravidez não viável (ectópica ou abortamento).

Quais são os critérios para a conduta expectante em uma gravidez ectópica?

A conduta expectante pode ser considerada em pacientes hemodinamicamente estáveis, assintomáticas, com BHCG em queda e níveis baixos (geralmente < 2000-5000 mIU/ml), e ausência de massa ectópica grande ou sinais de ruptura na ultrassonografia.

Qual o papel da ultrassonografia transvaginal na avaliação da gravidez precoce?

A ultrassonografia transvaginal é essencial para confirmar a localização da gravidez (intra ou extrauterina), avaliar a viabilidade e identificar sinais de complicação, como líquido livre no fundo de saco, especialmente quando o BHCG atinge a zona de discriminação.

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