PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Na maternidade na qual você trabalha, está internada uma paciente de 38 anos que é primigesta e apresenta dor abdominal que melhorou parcialmente com analgesia prescrita e hemodinamicamente estável. No dia da internação, há 2 dias, apresentava beta-hCG mUI/mL de 4.500, a Ultrassonografia mostra imagem de anel tubário. Frente ao resultado do novo beta-hCG, feito há 2 horas, que teve o valor de 3.000mUI/mL, qual a melhor conduta para a paciente?
Gravidez ectópica: Hemodinamicamente estável + beta-hCG em queda = conduta expectante.
Para uma paciente com diagnóstico de gravidez ectópica, que está hemodinamicamente estável, com dor abdominal controlada e, crucialmente, com níveis de beta-hCG em queda significativa (como de 4.500 para 3.000 mUI/mL), a conduta expectante é a melhor opção. Isso indica uma provável resolução espontânea da gravidez ectópica.
A gravidez ectópica é uma condição potencialmente fatal, caracterizada pela implantação do óvulo fertilizado fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para a segurança da paciente e para a preservação da fertilidade, sendo um tema de alta relevância para residentes de ginecologia e obstetrícia. A fisiopatologia envolve fatores que impedem a migração normal do zigoto para o útero, como infecções pélvicas prévias, cirurgias tubárias e uso de DIU. O diagnóstico é baseado na tríade clássica de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal, associado a um beta-hCG positivo e ultrassonografia que não mostra gestação intrauterina, mas pode revelar um anel tubário ou massa anexial. A suspeita deve ser alta em qualquer mulher em idade fértil com dor abdominal e beta-hCG positivo. O tratamento da gravidez ectópica pode ser expectante, clínico (com metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, dos níveis de beta-hCG, da presença de batimentos cardíacos fetais e do tamanho da massa ectópica. A conduta expectante é uma opção segura e eficaz para pacientes hemodinamicamente estáveis, com dor leve, beta-hCG inicial baixo e, principalmente, em queda espontânea, indicando uma resolução natural da gestação. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas o risco de recorrência e de infertilidade secundária deve ser discutido com a paciente.
A conduta expectante é indicada para pacientes hemodinamicamente estáveis, com dor mínima ou ausente, beta-hCG inicial baixo (geralmente < 5.000 mUI/mL) e, principalmente, com níveis de beta-hCG em queda espontânea (diminuição de pelo menos 15-20% em 48 horas), sem evidência de ruptura tubária.
O metotrexato é uma opção para pacientes hemodinamicamente estáveis, com beta-hCG < 5.000 mUI/mL (alguns centros até 10.000 mUI/mL), sem batimentos cardíacos fetais, sem ruptura tubária e que desejam preservar a fertilidade. É uma alternativa ao manejo expectante quando o beta-hCG não está em queda ou à cirurgia.
Sinais de alerta para intervenção cirúrgica urgente incluem instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), dor abdominal intensa e persistente, sinais de peritonite, evidência de ruptura tubária na ultrassonografia ou falha do tratamento clínico/expectante (beta-hCG em ascensão ou platô).
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