Gravidez Ectópica: Quando o Metotrexato é a Melhor Opção

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 27 anos, G1P0, comparece à unidade de pronto atendimento apresentando dor pélvica leve e sangramento vaginal discreto há 6 horas. Refere data da última menstruação (DUM) há 7 semanas. Ao exame físico, tem-se sinais vitais normais e exame abdominal normal. Ao exame especular, nota-se sangramento em pequena quantidade, vivo, oriundo do orifício externo do colo uterino. Títulos de beta-hCG realizados há dois dias eram de 2.500 mUI/mL. Títulos de beta-hCG realizados no pronto-socorro são de 3.500 mUI/mL. Foi solicitada ultrassonografia transvaginal, que demonstrou ausência de saco gestacional intrauterino e presença de massa anexial à direita, medindo 3 cm, contendo no seu interior imagem compatível com embrião, sem batimentos cardíacos. Com base no quadro clínico e nos achados dos exames complementares, a conduta mais adequada a ser realizada nessa paciente é

Alternativas

  1. A) laparoscopia imediata, considerando os níveis em ascenção de beta-hCG e o tamanho da massa anexial.
  2. B) tratamento com metotrexato intramuscular, considerando os níveis de beta-hCG e o tamanho da massa anexial.
  3. C) laparotomia imediata, considerando os níveis em ascenção do beta-hCG e a presença de embrião na massa anexial.
  4. D) monitoramento com ultrassonografia transvaginal e beta-hCG em 48 horas, considerando os níveis em ascenção de beta-hCG.

Pérola Clínica

Gravidez ectópica não rota, estável, <3.5 cm, beta-hCG <5000 mUI/mL, sem batimentos cardíacos fetais → Metotrexato IM.

Resumo-Chave

A paciente apresenta gravidez ectópica tubária não rota, clinicamente estável, com massa anexial de 3 cm e beta-hCG <5000 mUI/mL, além de ausência de batimentos cardíacos fetais. Esses critérios são ideais para o tratamento clínico com metotrexato intramuscular, que é menos invasivo que a cirurgia.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. É uma emergência ginecológica que pode levar a hemorragia interna grave e é uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico é feito pela combinação de beta-hCG sérico (que não dobra adequadamente ou tem níveis mais baixos que o esperado para a idade gestacional) e ultrassonografia transvaginal (ausência de saco gestacional intrauterino e presença de massa anexial). A paciente do caso apresenta um quadro clínico de gravidez ectópica não rota, com dor pélvica leve e sangramento discreto, sinais vitais normais (estabilidade hemodinâmica). Os níveis de beta-hCG estão em ascensão, mas ainda abaixo de 5.000 mUI/mL (2.500 para 3.500). A ultrassonografia revela uma massa anexial de 3 cm com embrião, mas sem batimentos cardíacos fetais. Esses achados preenchem os critérios para o tratamento clínico com metotrexato intramuscular. O metotrexato é um tratamento eficaz e menos invasivo para gravidez ectópica não rota, desde que a paciente esteja hemodinamicamente estável e preencha os critérios específicos (massa < 3,5-4 cm, beta-hCG < 5.000 mUI/mL, sem batimentos cardíacos fetais, ausência de ruptura). A laparoscopia ou laparotomia imediata seria indicada se houvesse instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura, massa maior ou beta-hCG mais elevado. O monitoramento isolado não seria adequado devido à massa anexial com embrião.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento com metotrexato na gravidez ectópica?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, massa anexial < 3,5-4 cm, beta-hCG < 5.000 mUI/mL, ausência de batimentos cardíacos fetais, ausência de ruptura tubária e ausência de contraindicações ao metotrexato.

Quando a cirurgia é indicada para gravidez ectópica?

A cirurgia (laparoscopia ou laparotomia) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura tubária, massa anexial > 3,5-4 cm, beta-hCG > 5.000 mUI/mL, presença de batimentos cardíacos fetais, ou falha do tratamento clínico com metotrexato.

Como o metotrexato age na gravidez ectópica?

O metotrexato é um antagonista do folato que inibe a síntese de DNA e RNA, impedindo a proliferação celular do trofoblasto. Isso leva à regressão da gravidez ectópica, sendo uma alternativa eficaz e menos invasiva à cirurgia.

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