MedEvo Simulado — Prova 2026
Larissa, 26 anos, nuligesta, procura atendimento médico com queixa de dor pélvica em cólica, localizada preferencialmente em fossa ilíaca direita, de início súbito há 6 horas. Relata atraso menstrual de aproximadamente 7 semanas, associado a um pequeno sangramento vaginal escuro ("tipo borra de café") iniciado nesta manhã. Nega febre ou sintomas urinários. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável, com abdome doloroso à palpação profunda em andar inferior, porém sem sinais de irritação peritoneal franca. Ao exame especular, observa-se colo uterino sem lesões, com pequena quantidade de sangue escuro no fundo de saco posterior. Ao toque bimanual, o útero tem tamanho normal e há dor à palpação do anexo direito, sem massas nitidamente palpáveis. Os resultados dos exames laboratoriais solicitados na admissão estão apresentados na tabela abaixo: | Parâmetro | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :--- | :--- | | Beta-HCG quantitativo | 3.150 mUI/mL | < 5 mUI/mL (Negativo) | | Hemoglobina | 12,8 g/dL | 12,0 - 15,5 g/dL | | Leucócitos | 8.400/mm³ | 4.000 - 11.000/mm³ | | Tipo Sanguíneo | O Positivo | - | Diante do quadro clínico e laboratorial exposto, qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta imediata mais adequada?
Beta-HCG > 3.000 mUI/mL + Útero vazio na USTV → Alta suspeição de Gravidez Ectópica.
Em pacientes estáveis com dor, sangramento e Beta-HCG positivo, a ultrassonografia transvaginal é o próximo passo obrigatório para localizar a gestação e definir a conduta.
A gravidez ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum (95%). O diagnóstico precoce é crucial para evitar a ruptura tubária, que é uma causa importante de morbimortalidade materna no primeiro trimestre. O manejo depende da estabilidade da paciente, do desejo reprodutivo e dos achados de imagem. Clinicamente, o uso do Beta-HCG quantitativo em conjunto com a USTV permite classificar a paciente em protocolos de conduta expectante, medicamentosa (Metotrexato) ou cirúrgica (salpingostomia ou salpingectomia). No caso apresentado, a estabilidade hemodinâmica permite a realização da USTV para confirmar a localização anexial da massa gestacional antes de qualquer intervenção invasiva.
A zona discriminatória é o nível de Beta-HCG a partir do qual um saco gestacional intrauterino deve ser obrigatoriamente visualizado pela ultrassonografia transvaginal. Embora varie entre instituições, geralmente situa-se entre 1.500 e 3.500 mUI/mL. No caso clínico, com 3.150 mUI/mL, a ausência de imagem intrauterina eleva drasticamente a suspeita de gravidez ectópica.
A suspeita deve ocorrer em qualquer mulher em idade fértil com a tríade clássica: atraso menstrual (ou teste de gravidez positivo), dor abdominal/pélvica e sangramento vaginal (geralmente escasso e escuro). Fatores de risco como cirurgias tubárias prévias, DIP ou gestação ectópica anterior reforçam a hipótese, mas sua ausência não exclui o diagnóstico.
Se a paciente apresentar sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez, sinal de Blumberg positivo), a conduta é a estabilização hemodinâmica imediata seguida de cirurgia de urgência (geralmente laparotomia). Nestes casos, não se deve perder tempo aguardando exames de imagem como a ultrassonografia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo