Gravidez Ectópica: Diagnóstico, Tratamento e Metotrexate

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 24 anos, comparece à Unidade de Pronto-Atendimento com queixa de dor abdominal baixa há 2 dias, progresslva, associada a sangramento vaginal discreto. Nega uso de contraceptivos, e apresenta atraso menstrual de 16 dias. Como antecedente clínico refere estar em Investigação de endometriose pois apresenta dismenorreia importante. Como antecedente cirúrgico refere apendicectomia há 4 anos. A partir do enunciado apresentado, avalie as afirmativas.I. A dosagem sérica de beta-HCG acima de 25mUl/mL associada a ultrassonografia transvaginal com espessamento endometrial e sem saco gestacional identificado na cavidade uterina confirmam diagnóstico de gestação ectópica.II. A salpingostomia, a salpingectomia parcial e a ordenha tubárea são alternativas cirúrgicas à salpingectomia radical, sendo a ordenha tubárea o tratamento padrão-ouro de gestações ectópicas íntegras em gestantes com desejo reprodutivo.Ill. A visualização ultrassonográfica de saco gestacional fora da cavidade uterlna com diâmetro maior do que 5cm contraindica o uso de metotrexate no tratamento da gravidez ectópica.IV. Leucopenia, pneumonite e alopecia săo possíveís efeitos colaterais ao uso do metotrexate, mesmo quando admlnlstrado em dose única intramuscular.São corretas somente as alternativas

Alternativas

  1. A) I e II
  2. B) I e III
  3. C) II e III
  4. D) II e IV
  5. E) III e IV

Pérola Clínica

Gestação ectópica: saco gestacional > 5cm ou beta-HCG > 5000 UI/L → contraindica metotrexate.

Resumo-Chave

A gestação ectópica é uma emergência ginecológica. O tratamento com metotrexate possui critérios rigorosos de indicação e contraindicação, sendo o tamanho do saco gestacional um fator crucial para o sucesso terapêutico e segurança da paciente. Efeitos adversos devem ser monitorados.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica, definida como a implantação do blastocisto fora da cavidade uterina, é uma condição ginecológica grave que afeta cerca de 1-2% das gestações. É a principal causa de mortalidade materna no primeiro trimestre, destacando a importância de um diagnóstico precoce e manejo adequado para preservar a vida da paciente e sua fertilidade futura. Fatores de risco incluem doença inflamatória pélvica, cirurgias tubárias prévias, uso de DIU e reprodução assistida. O diagnóstico da gravidez ectópica baseia-se na tríade clássica de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal, embora nem sempre presente. A dosagem seriada de beta-HCG e a ultrassonografia transvaginal são pilares diagnósticos. A ausência de saco gestacional intrauterino com beta-HCG acima da zona discriminatória (geralmente 1500-2000 mUI/mL) levanta forte suspeita, exigindo acompanhamento rigoroso. A visualização direta de um saco gestacional ou massa anexial complexa fora do útero confirma o diagnóstico. O tratamento pode ser clínico, com metotrexate, ou cirúrgico. A escolha depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa ectópica, níveis de beta-HCG e desejo reprodutivo. O metotrexate é uma opção para casos selecionados (paciente estável, massa < 3,5-4 cm, sem atividade cardíaca, beta-HCG < 5000 UI/L), mas possui contraindicações importantes, como o tamanho do saco gestacional > 5 cm. As opções cirúrgicas incluem salpingostomia (preservação tubária) e salpingectomia (remoção da tuba), sendo a salpingostomia preferida em pacientes com desejo de gestação futura e tuba contralateral comprometida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento clínico da gravidez ectópica com metotrexate?

O tratamento clínico com metotrexate é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, com massa anexial < 3,5-4 cm, ausência de atividade cardíaca fetal, beta-HCG < 5000 UI/L e sem contraindicações absolutas.

Quais são as principais contraindicações para o uso de metotrexate na gravidez ectópica?

As contraindicações incluem instabilidade hemodinâmica, massa anexial > 3,5-4 cm (ou > 5cm é forte contraindicação), atividade cardíaca fetal, doenças hepáticas/renais/hematológicas, amamentação e imunodeficiência.

Como a ultrassonografia transvaginal auxilia no diagnóstico da gravidez ectópica?

A ultrassonografia transvaginal é fundamental para identificar a localização do saco gestacional. A visualização de um saco gestacional fora do útero ou a ausência de saco intrauterino com beta-HCG acima da zona discriminatória são achados importantes.

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