UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2020
Paciente com 22 anos, internada em 2016 com DIPA (doença inflamatória pélvica aguda), engravidou em 2019. Comparece hoje a consulta trazendo ultrassonografia transvaginal mostrando cavidade uterina vazia e imagem de gravidez em região anexial direita, evidenciando uma massa altamente vascularizada ao Doppler, medindo 10 cm de diâmetro, contendo saco gestacional com embrião e batimentos cardíacos detectáveis. A conduta correta é:
Gravidez ectópica com massa > 3,5 cm, BCF e/ou instabilidade → tratamento cirúrgico.
Uma gravidez ectópica com massa de 10 cm e batimentos cardíacos fetais detectáveis, especialmente em paciente com histórico de DIPA (fator de risco), indica um alto risco de rotura e instabilidade hemodinâmica. Nesses casos, o tratamento cirúrgico é a conduta de escolha, pois o tratamento clínico com metotrexate é contraindicado ou ineficaz.
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. É uma emergência ginecológica que pode levar a hemorragia interna grave e é uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre. O diagnóstico precoce e a escolha correta do tratamento são cruciais para o prognóstico da paciente. O diagnóstico é feito pela combinação de beta-hCG positivo e ultrassonografia transvaginal que mostra cavidade uterina vazia e uma massa anexial. A presença de uma massa anexial altamente vascularizada ao Doppler, medindo 10 cm de diâmetro, contendo saco gestacional com embrião e batimentos cardíacos detectáveis, como no caso, é um achado de alto risco. O histórico de DIPA é um fator de risco significativo para gravidez ectópica devido ao dano tubário que pode causar. A conduta para gravidez ectópica depende de múltiplos fatores, incluindo estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa, presença de atividade cardíaca fetal e níveis de beta-hCG. O tratamento conservador expectante é para casos muito selecionados com beta-hCG em declínio. O tratamento clínico com metotrexate é indicado para pacientes estáveis, sem sinais de rotura, com massa pequena (<3,5-4 cm) e sem atividade cardíaca fetal. No cenário descrito (massa grande, BCF), o tratamento cirúrgico (salpingectomia ou salpingostomia) é a única conduta segura e eficaz, devido ao alto risco de rotura e hemorragia.
O tratamento clínico com metotrexate é indicado para gravidez ectópica em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de rotura, com massa anexial < 3,5-4 cm, ausência de atividade cardíaca fetal e níveis de beta-hCG < 5.000 mUI/mL.
O tratamento cirúrgico é indicado para pacientes com instabilidade hemodinâmica, sinais de rotura tubária, massa anexial > 3,5-4 cm, presença de atividade cardíaca fetal, níveis elevados de beta-hCG (> 5.000 mUI/mL) ou falha do tratamento clínico.
Os principais fatores de risco para gravidez ectópica incluem história prévia de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica aguda (DIPA), cirurgia tubária prévia, uso de DIU, tabagismo e técnicas de reprodução assistida.
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