Gravidez Ectópica: Diagnóstico e Manejo Inicial

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

M.B.V., GII P0 AI, IG cronólogica de 7 semanas e 5 dias, deu entrada no PSO com dor abdominal de início súbito e história de sangramento vaginal em pequena quantidade. Sem exame de imagem prévio. Ao exame físico: BEG, hipocorada +/4+, PA 100 x 60 mmHg. Abdome: dor à descompressão brusca positiva. Murphy negativo. Giordano negativo. Especular: colo uterino sem lesões. Pequena quantidade de sangue em conduto vaginal. Sem sangramento ativo. Toque vaginal: colo impérvio, grosso e posterior, fundo uterino intrapélvico. Dor à mobilização do colo. Assinale os exames complementares mais importantes para diagnóstico.

Alternativas

  1. A) Beta HCG qualitativo e tomografia de abdome.
  2. B) Beta HCG quantitativo e ultrassom transvaginal.
  3. C) Hb, Htco e beta HCG quantitativo.
  4. D) Tipagem sanguínea, Hb, Htco e RNM de pelve.
  5. E) Beta HCG qualitativo e ultrassom de abdome total.

Pérola Clínica

Dor abdominal + sangramento 1º trimestre + dor à mobilização do colo → suspeitar gravidez ectópica.

Resumo-Chave

Em gestante com dor abdominal e sangramento no primeiro trimestre, a combinação de Beta HCG quantitativo e ultrassom transvaginal é essencial para diferenciar entre gravidez tópica viável, abortamento e gravidez ectópica, permitindo uma conduta rápida e adequada.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição grave que representa a principal causa de mortalidade materna no primeiro trimestre. Sua incidência é de 1-2% das gestações, sendo crucial o diagnóstico precoce para evitar complicações como ruptura tubária e choque hemorrágico. A suspeita clínica surge em gestantes com dor abdominal, sangramento vaginal e, por vezes, dor à mobilização do colo. O diagnóstico baseia-se na combinação de Beta HCG quantitativo e ultrassonografia transvaginal. Níveis de Beta HCG que não se elevam adequadamente (dobrando a cada 48-72h) ou a ausência de saco gestacional intrauterino com Beta HCG acima do "limiar de zona discriminatória" (geralmente 1500-2000 mUI/mL) são altamente sugestivos de gravidez ectópica ou abortamento. O ultrassom transvaginal permite visualizar a localização da gestação, seja intrauterina ou extrauterina, e identificar sinais de ruptura. O manejo pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico, dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa ectópica e níveis de Beta HCG. A decisão rápida e assertiva é fundamental para preservar a fertilidade e a vida da paciente, tornando este um tema de alta relevância para a prática clínica e provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para gravidez ectópica?

Os sinais de alerta incluem dor abdominal unilateral ou difusa, sangramento vaginal irregular, dor à mobilização do colo uterino e, em casos mais avançados, sinais de choque hipovolêmico.

Por que o Beta HCG quantitativo é importante no diagnóstico de gravidez ectópica?

O Beta HCG quantitativo permite monitorar a progressão da gravidez e correlacionar com os achados ultrassonográficos. Níveis que não dobram adequadamente ou são inconsistentes com a idade gestacional podem indicar gravidez ectópica ou abortamento.

Qual o papel do ultrassom transvaginal na suspeita de gravidez ectópica?

O ultrassom transvaginal é o método de imagem de escolha para localizar a gestação. Ele pode identificar um saco gestacional intrauterino, massas anexiais ou líquido livre na pelve, confirmando ou excluindo a ectópica.

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