Gravidez Ectópica Rota: Diagnóstico e Manejo de Urgência

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 29 anos se apresenta no pronto atendimento com queixa de dor abdominal e sangramento vaginal. Nega comorbidades, uso de medicamentos (incluindo contraceptivos) ou outras queixas, relata atraso menstrual de 5 semanas e apresenta resultado de beta HCG qualitativo positivo. Ao exame físico, verifica-se abdômen doloroso difusamente, sangramento vaginal moderado e anexo esquerdo aumentado, com colo uterino fechado, ao exame de toque bimanual. Considerando o caso descrito, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico diferencial inclui descolamento prematuro de placenta e inserção placentária anômala.
  2. B) "A conduta imediata, caso o sangramento esteja comprometendo a estabilidade hemodinâmica da paciente, é o esvaziamento uterino com curetagem ou aspiração manual intrauterina."
  3. C) A laparotomia pode ser necessária caso a paciente apresente sinais de instabilidade hemodinâmica.
  4. D) A ultrassonografia é necessária para a diferenciação entre abortamento incompleto e abortamento retido.

Pérola Clínica

Gestante com dor abdominal, sangramento, massa anexial e instabilidade hemodinâmica → suspeitar gravidez ectópica rota, laparotomia urgente.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal, sangramento vaginal, atraso menstrual e beta HCG positivo, associado a uma massa anexial e colo uterino fechado, é altamente sugestivo de gravidez ectópica. A instabilidade hemodinâmica indica ruptura e hemorragia interna, configurando uma emergência cirúrgica que pode requerer laparotomia.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição em que o embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. Representa uma emergência ginecológica e obstétrica, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. O quadro clínico clássico inclui atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal. No caso descrito, a presença de dor abdominal difusa, sangramento moderado, massa anexial esquerda aumentada e colo uterino fechado, em uma paciente com beta HCG positivo e atraso menstrual, é altamente sugestiva de gravidez ectópica, possivelmente rota, devido à dor difusa. A instabilidade hemodinâmica é o sinal mais alarmante e indica ruptura da gravidez ectópica com hemorragia intra-abdominal significativa. Nesses casos, a conduta deve ser imediata e focada na estabilização da paciente e na interrupção da hemorragia. A ultrassonografia transvaginal é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, mas em pacientes instáveis, a decisão de intervir cirurgicamente pode ser tomada com base apenas na clínica. A laparotomia é a via de acesso preferencial em pacientes hemodinamicamente instáveis, pois permite um controle mais rápido da hemorragia. A laparoscopia pode ser considerada em pacientes estáveis. O esvaziamento uterino (curetagem ou AMIU) não é a conduta para gravidez ectópica, pois o produto da concepção não está no útero. O diagnóstico diferencial inclui abortamento (ameaçado, incompleto, retido), mas a massa anexial e o colo fechado favorecem a ectópica. Descolamento prematuro de placenta e inserção placentária anômala são condições de segundo e terceiro trimestres, não se encaixando no atraso menstrual de 5 semanas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma gravidez ectópica rota?

Os sinais incluem dor abdominal intensa e súbita, sangramento vaginal, tontura, síncope e sinais de choque hipovolêmico, como taquicardia e hipotensão.

Quando a laparotomia é indicada em caso de gravidez ectópica?

A laparotomia é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, suspeita de hemorragia interna significativa ou quando a laparoscopia não é viável ou segura.

Como diferenciar gravidez ectópica de abortamento incompleto?

A gravidez ectópica geralmente apresenta dor abdominal unilateral, massa anexial e colo uterino fechado, enquanto o abortamento incompleto pode ter colo aberto e restos ovulares no útero, embora a ultrassonografia seja crucial para a diferenciação.

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