Gravidez Ectópica Rota: Diagnóstico e Conduta de Emergência

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 19 anos, com atraso menstrual de 30 dias, chega ao plantão de emergência com queixa de dor no baixo-ventre, de moderada a forte intensidade, há cerca de 5 dias, associada a pequeno sangramento vaginal. Avaliada e submetida a exames subsidiários, apresentou hCG elevado 5.250,00 mUI/mL); hemograma sem alterações; ecografia transvaginal com identificação de massa heterogênea em topografia de anexo esquerdo com 3,0 cm em seu maior diâmetro e pequena quantidade de líquido livre com debris em fundo de saco posterior. Qual a conduta mais adequada a ser seguida após internação?

Alternativas

  1. A) Tratamento cirúrgico imediato.
  2. B) Observação do quadro com repetição dos exames em 48 horas.
  3. C) Administração de metotrexato IM na dose de 50 mg/m².
  4. D) Administração de metotrexato IM na dose de 75 mg/m².

Pérola Clínica

Gravidez ectópica com massa anexial > 3cm e líquido livre em fundo de saco → Tratamento cirúrgico imediato.

Resumo-Chave

A presença de massa anexial de 3,0 cm com líquido livre e debris em fundo de saco posterior, em paciente com hCG elevado e dor, sugere fortemente uma gravidez ectópica com sinais de ruptura ou iminência de ruptura. Nesses casos, a conduta é cirúrgica imediata para evitar hemorragia grave e instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição de emergência ginecológica, caracterizada pela implantação do ovo fertilizado fora da cavidade uterina, mais comumente na tuba uterina. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. A paciente apresenta atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, sintomas clássicos que devem levantar a suspeita. O diagnóstico é corroborado por hCG elevado e ultrassonografia transvaginal que não visualiza gestação intrauterina, mas sim uma massa anexial. A presença de massa heterogênea de 3,0 cm e líquido livre com debris em fundo de saco posterior são achados ultrassonográficos altamente sugestivos de ruptura ou iminência de ruptura da tuba uterina, indicando hemorragia interna. Nesses casos, a conduta mais adequada é o tratamento cirúrgico imediato, geralmente por laparoscopia, para remover a gravidez ectópica e controlar o sangramento. A observação ou o uso de metotrexato são opções para casos selecionados, hemodinamicamente estáveis, sem sinais de ruptura e com massa anexial menor, o que não se aplica à situação descrita. A agilidade no diagnóstico e tratamento é crucial para preservar a vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ruptura de gravidez ectópica?

Sinais incluem dor abdominal intensa, sangramento vaginal, massa anexial grande (>3,5-4 cm), líquido livre em fundo de saco na ultrassonografia e, em casos avançados, instabilidade hemodinâmica.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado para gravidez ectópica?

É indicado em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de ruptura (como massa grande e líquido livre), contraindicações ao metotrexato ou falha do tratamento conservador.

Por que o metotrexato não é a conduta inicial neste caso?

O metotrexato é contraindicado em casos de gravidez ectópica com sinais de ruptura ou massa anexial grande, devido ao risco de hemorragia e falha do tratamento, exigindo intervenção cirúrgica imediata.

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