Diagnóstico Diferencial: Gravidez Ectópica vs Aborto

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Uma gestante de 9 semanas e 5 dias, datada pela última menstruação, procura atendimento por apresentar sangramento vaginal em pequena quantidade, há dois dias, associado à dor em região hipogástrica de intensidade moderada. Ao exame físico, sangue, em pequena quantidade, coletado em fundo de saco vaginal, sem sangramento ativo, dor intensa no toque vaginal, com colo impérvio. Abdome plano, flácido, dor à palpação de fossa ilíaca direita. Os sinais vitais são: PA: 100x60 mmHg, FC 80 bpm, stO₂ 98%. Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. O quadro se trata de uma ameaça de aborto, sendo necessário solicitar ultrassom ambulatorialmente e indicar progesterona.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Dor anexial intensa + colo fechado + sangramento → suspeitar de Gravidez Ectópica, não apenas aborto.

Resumo-Chave

O quadro de dor intensa à palpação e toque vaginal, especialmente em fossa ilíaca, em gestante com sangramento leve, obriga a exclusão de gravidez ectópica antes de rotular como ameaça de aborto.

Contexto Educacional

O sangramento no primeiro trimestre é um desafio diagnóstico comum. Enquanto a ameaça de aborto é caracterizada por colo fechado e vitalidade embrionária, a gravidez ectópica representa uma emergência potencial. A localização da dor é um marcador clínico fundamental: dores anexiais ou em fossas ilíacas sugerem patologia extrauterina. O manejo exige vigilância rigorosa, pois a rotura tubária pode levar a hemoperitônio maciço. O uso de progesterona só é indicado em casos confirmados de insuficiência lútea na ameaça de aborto, nunca antes de excluir ectópica.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clássicos de gravidez ectópica rota?

A gravidez ectópica rota manifesta-se tipicamente com a tríade de dor abdominal súbita e intensa, atraso menstrual e sangramento vaginal. Ao exame físico, o sinal de Proust (dor intensa à mobilização do colo e abaulamento do fundo de saco de Douglas) é um achado crítico. Pacientes podem apresentar sinais de choque hipovolêmico, como hipotensão, taquicardia e palidez cutâneo-mucosa, dependendo do volume do hemoperitônio. A irritação peritoneal (sinal de Blumberg) também pode estar presente.

Como diferenciar ameaça de aborto de gravidez ectópica?

Na ameaça de aborto, a dor costuma ser em cólica, mediana (hipogástrica) e o sangramento é variável, mas o colo permanece fechado. Na gravidez ectópica, a dor é frequentemente lateralizada (fossa ilíaca ou anexa), mais intensa e desproporcional ao sangramento externo. O toque vaginal na ectópica revela dor à mobilização cervical e palpação anexial dolorosa. O ultrassom transvaginal é o padrão-ouro para localizar o saco gestacional e confirmar o diagnóstico.

Qual a conduta inicial na suspeita de gravidez ectópica?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica se necessário, dosagem de Beta-hCG quantitativo e realização de ultrassonografia transvaginal (USTV). Se o Beta-hCG estiver acima da zona discriminatória (geralmente 1.500-2.000 mUI/mL) e o útero estiver vazio na USTV, a suspeita de ectópica é altíssima. O tratamento pode ser expectante, medicamentoso (Metotrexato) ou cirúrgico (salpingectomia ou salpingostomia), dependendo da estabilidade da paciente e viabilidade da trompa.

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