USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Mulher de 28 anos de idade, chega ao Pronto-Socorro com queixa de dor de forte intensidade em hipogástrio acompanhada de sangramento vaginal de pequena quantidade. Na anamnese relata um abortamento espontâneo há 18 meses. Refere data da última menstruação em 08/10/2021. Refere ser diabética tipo I há 15 anos. Ao exame clínico: descorada ++/4, PA 90 x 51 mmHg, FC 110 bpm, FR 23 rpm. Dor à palpação profunda com sinal de descompressão brusca presente em fossa ilíaca direita. No toque vaginal o colo do útero é posterior, levemente amolecido, impérvio e com dor à mobilização. Foram recebidos os seguintes resultados de exames: Hb 9,1g/dl, Ht 28,2%, leucócitos 12.83mil/mm³, plaquetas 175 mil/mm3 e betaHCG 1820 mUI/ml. A imagem do ultrassom é apresentada.Com base no quadro clínico e ultrassonográfico, qual é o diagnóstico?
Dor abdominal + sangramento + betaHCG positivo + USG sem gestação intrauterina + instabilidade hemodinâmica → Gravidez Ectópica Rota.
O quadro clínico de dor abdominal intensa, sangramento vaginal, instabilidade hemodinâmica (PA baixa, FC alta), anemia e betaHCG positivo com ausência de gestação intrauterina ao ultrassom é altamente sugestivo de gravidez ectópica rota, uma emergência ginecológica.
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gestação e uma emergência ginecológica. A incidência varia, mas é crucial o diagnóstico precoce devido ao risco de ruptura e hemorragia interna. A fisiopatologia envolve fatores que impedem a migração normal do zigoto para o útero, como danos às tubas uterinas por infecções (DIP), cirurgias prévias ou anomalias congênitas. Clinicamente, a paciente pode apresentar dor abdominal (geralmente unilateral), sangramento vaginal irregular e atraso menstrual. Em casos de ruptura, o quadro evolui para dor intensa, irritação peritoneal e sinais de choque hipovolêmico, como hipotensão e taquicardia. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica (dor, sangramento, atraso menstrual), níveis de betaHCG que não evoluem como esperado e, principalmente, na ultrassonografia transvaginal que não visualiza saco gestacional intrauterino e pode identificar uma massa anexial ou líquido livre na cavidade abdominal. O tratamento pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico, dependendo da estabilidade hemodinâmica, tamanho da massa e níveis de betaHCG.
Os principais sintomas incluem dor abdominal unilateral ou difusa, sangramento vaginal irregular, atraso menstrual e, em casos de ruptura, sinais de choque hipovolêmico como hipotensão e taquicardia.
O betaHCG positivo, com valores que não dobram adequadamente ou que são mais baixos que o esperado para a idade gestacional, combinado com a ausência de saco gestacional intrauterino ao ultrassom, são cruciais para o diagnóstico.
Fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica, cirurgia tubária, uso de DIU, tabagismo e técnicas de reprodução assistida.
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