SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Uma gestante de 9 semanas e 5 dias, datada pela última menstruação, procura atendimento por apresentar sangramento vaginal em pequena quantidade, há dois dias, associado à dor em região hipogástrica de intensidade moderada. Ao exame físico, sangue, em pequena quantidade, coletado em fundo de saco vaginal, sem sangramento ativo, dor intensa no toque vaginal, com colo impérvio. Abdome plano, flácido, dor à palpação de fossa ilíaca direita. Os sinais vitais são: PA: 100x60 mmHg, FC 80 bpm, stO₂ 98%. Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. É importante afastar a possibilidade de gravidez ectópica.
Sangramento + dor abdominal + colo fechado + dor anexial → excluir gravidez ectópica.
Toda gestante com dor abdominal e sangramento no 1º trimestre deve ter a localização da gestação confirmada via USG para excluir ectópica, mesmo com colo impérvio.
A gravidez ectópica ocorre quando o blastocisto se implanta fora da cavidade endometrial, sendo a tuba uterina o local mais comum (95%). Clinicamente, manifesta-se pela tríade: dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal. O diagnóstico precoce é crucial para evitar a rotura tubária, que leva ao hemoperitônio e choque hipovolêmico. O manejo clínico exige alta suspeição, especialmente em pacientes com dor à palpação anexial ou mobilização do colo uterino.
Os principais fatores de risco incluem história prévia de gravidez ectópica, cirurgia tubária anterior, doença inflamatória pélvica (DIP), uso de dispositivo intrauterino (DIU) e tabagismo. A fisiopatologia geralmente envolve a alteração do transporte do embrião pela tuba uterina, seja por dano ciliar ou obstrução anatômica. É fundamental realizar uma anamnese detalhada, embora muitas pacientes não apresentem fatores de risco identificáveis no momento do diagnóstico.
O Beta-hCG deve ser analisado em conjunto com a ultrassonografia transvaginal (USTV). A 'zona discriminatória' é o nível de Beta-hCG (geralmente entre 1.500 e 3.500 mUI/mL) acima do qual um saco gestacional intrauterino deve ser visível. Se o Beta-hCG estiver acima desse limite e o útero estiver vazio, a suspeita de gravidez ectópica é altíssima. Em casos de dúvida, a dosagem seriada a cada 48 horas ajuda: aumentos inferiores a 35% sugerem gestação não evolutiva ou ectópica.
A conduta pode ser expectante, medicamentosa (Metotrexato) ou cirúrgica (salpingostomia ou salpingectomia). O tratamento medicamentoso é indicado em pacientes hemodinamicamente estáveis, com saco gestacional < 3,5-4 cm, ausência de atividade cardíaca embrionária e Beta-hCG preferencialmente < 5.000 mUI/mL. O acompanhamento rigoroso com dosagens de Beta-hCG nos dias 4 e 7 após a aplicação é mandatório para garantir a eficácia do tratamento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo